Este local pretende ser o ponto de encontro obrigatório de todos aqueles que, sendo de Leiria e arredores, gostam de Astronomia, independentemente da sua idade, classe, grupo profissional, sexo, idade ou conhecimentos. Neste blog iremos disponibilizar informações de actividades, partilhar materiais e conhecimentos, trocar informações úteis e trabalhar no âmbito da Astronomia na região de Leiria.

05 Fevereiro, 2010

Plutão visto pelo Hubble

Novas imagens de planeta despromovido
Plutão revisitado pelo telescópio espacial Hubble

Platão está longe de ser uma rocha congelada despida de interesse (NASA)

Mesmo através de telescópios espaciais como o Hubble, sem a atmosfera da Terra a atrapalhar a visão, Plutão é um pontinho de luz. Nada de vermos um pormenor que seja da sua superfície: estará cravejado de crateras? Terá montanhas? Mas é esse ponto de luz longínquo, nas franjas do sistema solar, que o telescópio Hubble revela agora com maior nitidez. As imagens divulgadas pela agência espacial NASA deixaram os cientistas surpreendidos: o planeta (despromovido a anão) ficou mais avermelhado e o pólo norte tornou-se mais brilhante.

A equipa de Mike Brown, do Instituto de tecnologia da Califórnia (Estados Unidos), comparou imagens obtidas pelo Hubble em 1994 com um conjunto tirado entre 2000 e 2003. Resultado, no período entre 2000 e 2002 foi quando ocorreram as maiores mudanças.

O que está na origem destes fenómenos é um mistério, embora os cientistas tenham algumas hipóteses. Provavelmente, devem-se a mudanças na superfície gelada de Plutão, agora que, na sua órbita de 248 anos, começa a sair do ponto mais perto do Sol. Em relação ao brilho, a luz solar terá provocado o “descongelamento” da superfície no pólo norte e os gases resultantes terão voltado a congelar no outro pólo. Quanto ao aspecto avermelhado, pode estar relacionado com a presença de metano, já detectado na superfície do planeta.

Para a equipa, as novas imagens, as mais nítidas de Plutão obtidas pelo Hubble, confirmam que é um mundo bastante dinâmico, cuja atmosfera sofre mudanças assinaláveis ao longo da sua viagem em torno do Sol. Está longe de ser uma rocha congelada despida de interesse.

Mas se por ora teremos de nos contentar com as fotos do Hubble, por melhores que sejam, em 2015 esperam-se novas revelações do planeta-anão, nunca visitado por qualquer sonda. Tal lacuna mudará com a sonda New Horizons, em viagem neste momento pelo sistema solar, e que daqui a cinco anos chegará a Plutão e à sua lua Caronte.

31 Janeiro, 2010

Os dias que a NASA gostava de retirar do calendário

NASA: Tragédias da Apollo 1, Challenger e Columbia
Aventuras fatais no espaço

Tripulação do Columbia

Por três vezes o azar bateu à porta da NASA e sempre em finais de Janeiro, custando a vida a 17 astronautas, entre os quais quatro mulheres. A euforia do início da conquista espacial, num caso, a rotina dos voos, nos outros dois, foram apontados como os grandes culpados. Muita coisa foi entretanto reequacionada e a exploração espacial tomou novos rumos após estas tragédias.

O primeiro grande acidente da história espacial norte-americana ocorreu a 27 de Janeiro de 1967, quando a tripulação da Apollo 1Virgil Grissom, Ed White e Roger Chaffee – morreu num acidente do módulo de comando durante os testes de pré-lançamento. O que ocorreu de facto foi um curto-circuito no interior da cabina e ainda que a roupa espacial os tenha protegido do fogo, a inalação excessiva de fumo foi fatal.

Como resultado, toda a programação do projecto Apollo foi atrasada em 21 meses e cerca de 1300 alterações foram feitas.

Dezanove anos depois, a tragédia repetia-se, agora com outro tipo de transportadores espaciais – os vaivéns. A 28 de Janeiro de 1986, e 76 segundos após a descolagem no Cabo Canaveral, o vaivém Challenger explodia: a cerca de 14 mil metros de altitude, começaram a sair chamas de um dos foguetes, que se soltou e bateu contra um dos tanques de combustível externos.

Morreram sete astronautas, entre eles Judith Resnick, segunda mulher norte-americana a ir ao espaço, e Christa McAuliffe, escolhida entre 11 400 professores. O relatório final concluiu que uma junta circular que devia selar duas secções do foguete tornou-se quebradiça com o frio e rompeu-se.

O acidente provocou a paralisação dos voos durante 32 meses para fazer revisões que garantissem a segurança, mas 17 anos depois, um segundo vaivém, o Columbia, já no fim da sua missão de 16 dias, na reentrada da atmosfera terrestre, desintegrou-se nos céus do estado norte-americano do Texas, a 1 de Fevereiro de 2003, 16 minutos antes da aterragem, matando mais sete astronautas.

A perda do Columbia foi o resultado de um dano ocorrido durante o lançamento, quando um pedaço da espuma, do tamanho de uma pequena mala, bateu na asa esquerda da aeronave danificando o escudo de protecção térmica, que protege do calor gerado pelo choque com a atmosfera na reentrada.

O estrago permitiu que o ar extremamente aquecido penetrasse no interior da asa, enfraquecendo a sua estrutura e causando a desintegração do Columbia.

28 Janeiro, 2010

Museu da Ciência fora de portas com Simulador do Céu


Informação recebida do Museu de Ciência de Coimbra (via Blog De Rerum Natura):


Equipa do Museu da Ciência promove "passeios" pelas estrelas no Centro Comercial Dolce Vita Coimbra

E por que não aproveitar o final da semana para levar as crianças a um "passeio" pelas estrelas? O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) vai promover sessões de planetário no Centro Comercial Dolce Vita, em Coimbra, nos dias 29 e 30 de Janeiro. Os mais novos poderão, assim, fazer descobertas surpreendentes sobre as constelações e as suas histórias, ao longo de dois dias dedicados à Astronomia.

A iniciativa "Museu Fora de Portas" destina-se a crianças a partir dos cinco anos. A participação é gratuita e não necessita de inscrição prévia.

No planetário, os mais pequenos terão a impressão de estarem a observar o céu numa noite calma e sem nuvens. Com a ajuda da equipa educativa do Museu, vão conseguir descobrir as constelações e a mitologia a elas associada, mas também as características das estrelas, o movimento da Terra e dos planetas, os eclipses e as fases da Lua. Os mais novos poderão ainda aprender a orientar-se pelas estrelas através da localização da estrela polar.

Para além de sessões neste verdadeiro simulador do céu, a equipa do Museu da Ciência da UC tem ainda para os pequenos aprendizes de cientistas duas actividades interactivas sobre o Universo. Na actividade "Sputnik em Órbita", as crianças poderão descobrir, com a ajuda de plasticina e outros materiais simples, é que o ser humano conquista o espaço com as suas sondas, satélites e foguetões. Já em "O Céu a 3 Dimensões", terão a oportunidade de construir o seu próprio modelo 3D de uma constelação conhecida.

No dia 29 de Janeiro (sexta-feira), há sessões de planetário às 14.00, às 15.00, às 16.00 e às 17.00 horas. As actividades interactivas decorrem, sem interrupção, das 14.00 às 18.00 horas.

No sábado, dia 30 de Janeiro, as sessões de planetário terão lugar às 12.00, 15.00, 16.00 e 17.00 horas. Já as actividades "hands-on" voltam a decorrer das 14.00 às 18.00 horas.

A programação da iniciativa "Museu Fora de Portas" está aberta à participação das escolas, desde que procedam a inscrição prévia.

V Congresso Nacional Cientistas em Acção


Estremoz recebe Congresso Nacional “Cientistas em Acção” em Abril

O quinto Congresso Nacional “Cientistas em Acção” decorre de 22 a 24 de Abril, na cidade alentejana de Estremoz, com o objectivo de atrair jovens para a Ciência e Tecnologia, anunciou hoje a organização.


A iniciativa, a cargo do Centro Ciência Viva de Estremoz, é destinada a atrair alunos do ensino básico e secundário de escolas públicas e privadas de todo o país, para a Ciência e Tecnologia, tanto nas vertentes de investigação como de desenvolvimento.

O director do Centro Ciência Viva de Estremoz, Rui Dias, adiantou hoje à agência Lusa que o congresso pretende ainda desenvolver o contacto e a partilha de ideias entre os jovens, no âmbito da cultura científica e tecnológica.

O responsável destacou a importância de desenvolver o espírito científico dos jovens, através da realização de pequenos projectos em que o ensino experimental das ciências constitui uma prioridade. Os trabalhos podem ser apresentados individualmente ou em grupo, com um limite máximo de quatro alunos por grupo.

De acordo com o Centro Ciência Viva de Estremoz, os projectos a elaborar devem estar sempre relacionados com a temática geral do funcionamento do planeta Terra. No entanto, os promotores garantem que, ao terem optado pela Terra como tema central, não pretendem restringir os projectos à disciplina Geologia.

As inscrições na iniciativa decorrem até 25 de Março e a entrega dos projectos até 1 de Abril. Os melhores trabalhos vão ser premiados por três níveis de ensino: Prémio Galopim de Carvalho (1º e 2º Ciclo do Ensino Básico), Prémio Deodat Dolomieu (3º Ciclo do Ensino Básico) e Prémio António Ribeiro (Ensino Secundário).

A avaliação dos trabalhos terá em conta o conteúdo científico, originalidade e apresentação teórica e experimental.

A iniciativa, que decorre no Centro Ciência Viva de Estremoz, conta com o apoio da Universidade de Évora e da Câmara Municipal de Estremoz.



NOTA: mais informações neste site:

23 Janeiro, 2010

Português chega a Marte



Com a devida vénia transcrevemos notícia do jornal "Campeão das Províncias", via Blog De Rerum Natura:

Um cientista português, de 29 anos, natural de Manteigas, está a participar até ao próximo dia 7 de Fevereiro, nos Estados Unidos da América (EUA), numa iniciativa da NASA que simula uma estadia em Marte.

Luís Saraiva, licenciado em Biologia pela Universidade de Évora, doutorado pela Universidade de Colónia (Alemanha) e a frequentar um pós-doutoramento em Seatle (EUA), faz parte de uma equipa de seis cientistas que dão início amanhã, dia 22, a esta aventura “espacial”, numa estação de pesquisa localizada no deserto de Utah (EUA).

Brian Shiro (geofísico, comandante da expedição), Carla Haroz (engenheira), Mike Moran (astrónomo), Darrel Robertson (engenheiro) e Kiri Wagstaff (geóloga e jornalista) são os restantes elementos da equipa.

No site dedicado a esta missão, explicam que para além de contribuírem para os estudos em curso sobre a nutrição e a utilização de fatos espaciais, cada um deles vai dar continuidade aos próprios projectos de investigação. Luís Saraiva dedicar-se-á a pesquisar sobre o impacto ambiental e biomarcadores.

Através do site, os cientistas contam partilhar testemunhos, fotos e vídeos desta saga. Os interessados deverão clicar aqui, assim como enviar comentários e opiniões dos cibernautas através do Twitter.

07 Janeiro, 2010

Galileu descobriu os satélites de Júpiter há 400 anos!

Faz hoje 400 anos que Galileu Galilei se lembrou de apontar a sua fraca luneta para Júpiter e descobrir 3 (mais tarde quatro...) pequenas estrelinhas próximas - tinha descoberto os satélites ditos de Galileu.



Para ajudar, coloquei em cima facsimile do registo original (em cima e em italiano) do grande cientista e ainda uma foto actual, feita por uma sonda espacial, dos quatro satélites por si descobertos (em baixo, da esquerda para a direita, respectivamente - Io, Europa, Ganimedes e Calisto):

Curiosamente, embora fosse Galileu o autor da descoberta, não foi ele quem lhes deu o nome - a escolha deve-se a um obscuro astrónomo alemão...

06 Janeiro, 2010

Uma imagem da Nebulosa de Orion

Post roubado ao Blog De Rerum Natura:

PORTUGUÊS VENCE CONCURSO MUNDIAL COM FOTOGRAFIA DE UM BERÇO DE ESTRELAS



Uma imagem da Nebulosa de Orion (ao lado), que está entre 1300 a 1500 anos-luz da Terra e é conhecida por ser uma zona próspera na criação de estrelas, valeu ao engenheiro electrotécnico Luís Miguel Santo, de 34 anos, o primeiro prémio do concurso mundial de astrofotografia das Galilean Nights, um dos projectos-chave do Ano Internacional da Astronomia.

A fotografia, captada em finais de Outubro na Atalaia (Montijo), venceu a competição Beyond Earth (Para além da Terra), que reuniu imagens do Universo captadas por todo o globo. Os participantes foram desafiados a obter imagens dos objectos astronómicos estudados por Galileu Galilei, o cientista que há 400 anos protagonizou as primeiras observações do céu realizadas através de um telescópio.

"O objecto que Galileu observou e que escolhi foi a nebulosa de Orion, também conhecida como o objecto de Messier 42 (M42) e que está enquadrada com outra nebulosa (NGC1977), denominada na gíria Running Man (olhando na zona azul, e com alguma imaginação, vemos um indivíduo a correr, tal como o nome em inglês sugere). Existe ainda uma zona de concentração de estrelas denominada trapézio, pela sua disposição, que foi objecto de estudo de Galileu", explica Luís Miguel Santo.

"A Nebulosa de Orion (zona avermelhada em baixo na fotografia), pertence à constelação de Orion, e é denominada uma nebulosa de emissão (nuvem de gás ionizado que emite luz de várias cores) dada a presença, entre outros, de enormes quantidades de hidrogénio, a principal matéria-prima das estrelas. É uma zona conhecida como profícua na criação de estrelas. A nebulosa NGC1977 é uma nebulosa de reflexão; nuvens de poeira que simplesmente reflectem a luz de uma ou mais estrelas vizinhas, e como tal apresenta uma coloração azulada", revela o astrónomo amador.

Luís Miguel Santo foi um dos numerosos entusiastas que participaram em Portugal nas Noites de Galileu, entre 22 a 24 de Outubro de 2009. No total, 18 cidades desenvolveram perto de 50 actividades muito espaciais, transformando, uma vez mais, o país num dos mais dinâmicos.

Para o engenheiro electrotécnico, o prémio foi uma cereja no topo do bolo uma vez que captar uma fotografia dos astros para além da Terra não é fácil requerendo uma árdua aprendizagem. "O ritual de preparação e obtenção de uma astrofotografia tem algo que se lhe diga. Começa por preparar de antemão os objectos a fotografar, bem como definir os principais parâmetros de exposição, enquadramento, e montar o equipamento... Uma sessão normal inicia-se pelas 22h e pode terminar quando a estrela mais perto da terra dá a volta", frisa.

Ao contrário da fotografia tradicional, cada imagem em astrofotografia é composta por vários fotogramas (podendo durar tipicamente até 15 minutos por fotograma), incluindo a cor que tipicamente é obtida através de filtros distintos para o vermelho, o verde e o azul. Posteriormente, toda a informação contida nos diferentes fotogramas (luz e cor) é alinhada e calibrada de forma a obter apenas uma imagem a cores de maior detalhe, explica Luís Miguel Santo.

"A Astronomia é para mim um desafio que reúne duas paixões: fotografia e ciência. A Astronomia... tem um pouco de filosofia e é um exemplo importante na eterna procura do conhecimento, em especial o de olhar o Universo, cada vez mais longe, para perceber algo bem próximo... a própria Humanidade e a sua história", sublinha.

A imagem está aqui.

04 Janeiro, 2010

O estranho caso do senhor que nasceu no dia de Natal e que faz anos hoje


Hoje, relembra-nos o Google (com a a imagem anterior - mais um Google Doodle), faz anos Sir Isaac Newton, recorrendo à ilustração da fantasiosa ideia de que a Lei da Gravitação Universal lhe surgiu quando, estando no campo para fugir a um surto de peste que grassava em Londres, lhe caiu uma maçã em cima enquanto dormitava debaixo de uma macieira.

Curiosamente, embora tendo nascido em 4 de Janeiro de 1643, no seu dia da nascimento comemorava-se o Natal no seu país, pois a protestante Albion ainda não tinha aceite o católico calendário gregoriano (o mesmo que ainda hoje usamos e que é universal), o que deu origem a este equívoco e a outros - um dos mais engraçados é o episódio sueco do famoso dia 30 de Fevereiro, também conhecido como Dia de São Nunca...

Isaac Newton


Mas, hoje, o importante é recordar o cientista - usemos a Wikipédia para tal:

Sir Isaac Newton (Woolsthorpe, 4 de Janeiro de 1643 — Londres, 31 de Março de 1727) foi um cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, embora tenha sido também astrónomo, alquimista, filósofo natural e teólogo.

A sua obra, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, é considerada uma das mais influentes em História da ciência. Publicada em 1687, esta obra descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica.

Ao demonstrar a consistência que havia entre o sistema por si idealizado e as leis de Kepler do movimento dos planetas, foi o primeiro a demonstrar que o movimento de objectos, tanto na Terra como em outros corpos celestes, são governados pelo mesmo conjunto de leis naturais. O poder unificador e profético de suas leis era centrado na revolução científica, no avanço do heliocentrismo e na difundida noção de que a investigação racional pode revelar o funcionamento mais intrínseco da natureza.

Em uma pesquisa promovida pela instituição Royal Society, Newton foi considerado o cientista que causou maior impacto na história da ciência. De personalidade sóbria, fechada e solitária, para ele, a função da ciência era descobrir leis universais e enunciá-las de forma precisa e racional.

(...)

Universidade e resumo das suas realizações

Newton estudou no Trinity College de Cambridge, tendo-se graduado em 1665. Um dos principais precursores do Iluminismo, seu trabalho científico sofreu forte influência de seu professor e orientador Barrow (desde 1663), e de Schooten, Viète, John Wallis, Descartes, dos trabalhos de Fermat sobre rectas tangentes a curvas; de Cavalieri, das concepções de Galileu Galilei e Johannes Kepler.

Em 1663, formulou o teorema hoje conhecido como Binômio de Newton. Fez suas primeiras hipóteses sobre gravitação universal e escreveu sobre séries infinitas e o que chamou de teoria das fluxões (1665), o embrião do Cálculo Diferencial e Integral. Por causa da peste negra, o Trinity College foi fechado em 1666 e o cientista foi para casa de sua mãe em Woolsthorpe. Foi neste ano de retiro que construiu quatro de suas principais descobertas: o Teorema Binomial, o cálculo, a Lei da Gravitação Universal e a natureza das cores. Construiu o primeiro telescópio de reflexão em 1668, e foi quem primeiro observou o espectro visível que se pode obter pela decomposição da luz solar ao incidir sobre uma das faces de um prisma triangular transparente (ou outro meio de refracção ou de difracção), atravessando-o e projectando-se sobre um meio ou um anteparo branco, fenómeno este conhecido como Dispersão Luminosa. Optou, então, pela teoria corpuscular de propagação da luz, enunciando-a em (1675) e contrariando a teoria ondulatória de Huygens.

Tornou-se professor de matemática em Cambridge (1669) e entrou para a Royal Society (1672). Sua principal obra foi a publicação Philosophiae Naturalis Principia Mathematica (Princípios matemáticos da filosofia natural - 1687), em três volumes, na qual enunciou a lei da gravitação universal (3º volume), generalizando e ampliando as constatações de Kepler, e resumiu suas descobertas, principalmente o cálculo. Essa obra tratou essencialmente sobre física, astronomia e mecânica (leis dos movimentos, movimentos de corpos em meios resistentes, vibrações isotérmicas, velocidade do som, densidade do ar, queda dos corpos na atmosfera, pressão atmosférica, etc).

De 1687 a 1690 foi membro do Parlamento Britânico, em representação da Universidade de Cambridge. Em 1696 foi nomeado Warden of the Mint e em 1701 Master of the Mint, dois cargos burocráticos da casa da moeda britânica. Foi eleito sócio estrangeiro da Académie des Sciences em 1699 e tornou-se presidente da Royal Society em 1703. Publicou, em Cambridge, Arithmetica universalis (1707), uma espécie de livro-texto sobre identidades matemáticas, análise e geometria, possivelmente escrito muitos anos antes (talvez em 1673).

31 Dezembro, 2009

Observação do Eclipse

(Clicar para aumentar - fonte Espenak/NASA)

Para quem esteja em Leiria, pode vir ter connosco até à Travessa da Rua das Olhalvas, como referimos em post anterior, bastando um e-mail (fernando.oliveira.martins@gmail.com) ou telefonema (960 081 251), isto o tempo (e S. Pedro) o permitir...

Para os restantes, há a hipótese de irem olhando para o céu, a ver se vêem a Lua. Este astro nasce à hora do pôr do Sol (cerca das 17.15 horas) e o nosso satélite levanta-se do horizonte no momento em que entra na penumbra (uma sombra difusa, difícil de observar...). Às 18.52 horas a Lua entra na sombra (aquilo a que os astrónomos chamam de umbra...) e, se olharem para a parte de baixo da Lua (Polo Sul) vêem essa mesma sombra, durante uma hora e dois minutos (sai da umbra às 19.54 horas). No seu ponto máximo (19.23 horas) somente cerca de 8% da Lua estará debaixo da sombra da Terra. O final do eclipse é às 21.30 horas, mas, depois das 19.54 horas, não há nada para ver...

Lua azul

Hoje é dia de eclipse e de Lua azul! Esta última expressão refere-se ao facto de haver duas luas cheias nesse mês (pois, em Dezembro de 2009, houve Lua Cheia a 2 de Dezembro e há novamente a 31 de Dezembro...).

Recordemos este raro evento (ainda mais raro porque associado a um eclipse...) com uma curiosa música de Amália Rodrigues:


30 Dezembro, 2009

Observação do Eclipse parcial da Lua

Amanhã há um Eclipse parcial da Lua visível em Portugal a horas decentes! Se o bom tempo o permitir e houver interessados, observaremos o fenómeno na Travessa da Rua das Olhalvas, em Leiria, junto ao Café Olhalvas - ver localização no seguinte mapa interactivo:


Ver mapa maior

Para quem quer saber mais sobre o assunto, sugere-se a visita à página da NASA de Fred Espenak sobre Eclipses:

Eis ainda um texto com os principais dados científicos do eclipse, feito pelo Observatório Astronómico de Lisboa:
A noite de 31 de Dezembro oferece o último evento astronómico do ano, o eclipse parcial da Lua. Só nos resta esperar boas condições meteorológicas para poder presenciar este belo espectáculo e findar o ano em grande.

As efemérides do Eclipse parcial da Lua, em 31 de Dezembro, para Lisboa, são:

17.15 - A Lua entra na penumbra

18.52 - A Lua entra na umbra

19:23 - Meio do eclipse

19.54 - A Lua sai da umbra

21.30 - A Lua sai da penumbra

Grandeza do eclipse = 0,082 (considerando o diâmetro da Lua como unidade)

Será um eclipse "quase" penumbral, pois a Lua atravessa o cone de sombra da Terra quase tangencialmente.

Será visto na Europa, na África, na Ásia, na parte extrema da Austrália Ocidental e no oceano Índico.

Eclipse parcial da Lua é um fenómeno celeste que ocorre quando a Lua penetra, parcialmente, no cone de sombra projectado pela Terra. Isto acontece sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos. O eclipse parcial da Lua só pode ocorrer quando coincide com a fase de Lua cheia e a passagem dela pelo seu nodo orbital.

25 Dezembro, 2009

O nosso Poema de Natal

Como sempre, a minha Mãe e o meu Pai mandam as Boas Festas aos amigos em carta, sempre com poema inédito e que o nosso Blog gosta de partilhar com os seus leitores. Este ano, para celebrar a chegada de uma Senhora dos Caminhos que se veio abeirar de uma Avenida nova da minha terra (Vila Franca das Naves), aqui fica o nosso poema de Natal...

Nossa Senhora dos Caminhos

Tenho que confessar o meu pecado:
- Roubei a mãe ao Menino Jesus!...
(Ele já nem pequenino é,
e fica muito bem com S. José.)

....Fugi com Ela debaixo do braço
....e, a arfar de cansaço,
....pu-lA num pedestal de granito
...........bem bonito,
....à beira da avenida,
....presa com pedra e cal,
....p'ra ninguém ma roubar...

...Mas {há sempre um mas...}
o Natal aproximou-se,
o Menino volta ser pequenino
......e faz beicinho,
a chamar pela Mãe,
e a dizer que não tem ninguém...

....S. José bem O consola:
....- Deixa lá, meu Amor...
....porém Ele
....chora...chora...chora...

Então Deus-Pai,
que tudo vê
e tudo pode,
prestes acode
e desce, na Sua Majestade!

....- Ouve, Meu Filho,
....não chores mais.
....Ora vê: aqui tens A do Céu,
....a verdadeira,
....a Tua Mãe,
....a de Belém.

O Menino já não chora...
......ri...ri...ri...
numa gargalhada feliz e doirada,
e dorme descansadinho,
abraçado a Ela,
uma soneca abençoada!

....{Se Deus Pai
....não viesse do Céu,
....que remédio tinha eu
....se não dar-Lhe a minha,
....a tal que eu furtei.}

... E foi assim que eu levantei do chão
mais um sonho de menina;
e ganhei
a minha Nossa Senhora dos Caminhos.

........E é Ela
........que, neste Natal,
........vem comigo,
........num abraço sentido,
........trazer-vos muito Amor
........e Carinho

.....................da
........................MariAlice
.....................e do
........................Agostinho

~ Natal de 2009 ~

17 Dezembro, 2009

Sugestões LIDL de prendas de Natal

A LIDL, essa cadeia low cost alemã de supermercados que enxameia o nosso país, tem destas coisas todos os anos, por altura do Natal - propostas de prendas a baixo custo para aprendizes de cientistas...

Este ano a coisa não se alterou - há uma carrada de propostas, de excelente preço e óptima qualidade, que os interessados poderão adquirir a partir de 21.12.2009, a saber:


Microscópio Escolar


  • 3 objectivas rotativas de elevada qualidade (4x, 10x e 40x);
  • Lente de Barlow e 2 oculares de ângulo de visão largo (5x/16x);
  • Iluminação LED de luz incidente e transmitida, ambas através de corrente eléctrica;
  • Ampliação: 20-1280x;
  • Ocular para ligação ao PC através de USB e software;
  • Inclui mala e uma vasta gama de preparados e instrumentos;
  • 59 euros (-14% - valor anterior 69 euros);
  • Disponível em todo o país a partir de 21.12.2009.


Binóculo
Rocktrail

  • Objectiva 50 mm;
  • Regulação dióptrica;
  • Inclui: rosca de ligação a 1 tripé (não incluido);
  • Reprodução de imagem clara e de grande contraste através dos prismas Bak 4;
  • Mecanismo central anti-derrapante para uma focagem simples e precisa;
  • Oculares LE com borrachas de protecção, ideal para utilizadores de óculos;
  • 10 x ampliação;
  • 50 x zoom óptico;
  • Acessórios:
    • mala de transporte com alça e presilha para cinto,
    • fita para uso ao pescoço,
    • pano de limpeza.
  • 19,99 euros;
  • Disponível em todo o país a partir de 21.12.2009.


Binóculo Bresser

  • Objectivas de 60 mm;
  • Campo de visão de 52 m/ 1000 m;
  • Ampliação 10-30x;
  • Reprodução de imagem clara e de grande contraste;
  • 19,99 euros;
  • Disponível em todo o país a partir de 21.12.2009.

02 Dezembro, 2009

V Congresso dos Jovens Geocientistas - Coimbra


Congresso dos Jovens Geocientistas

V Congresso

Geodiversidade(s)



Irá decorrer, nos dias 25 e 26 de Fevereiro de 2010, o V Congresso dos Jovens Geocientistas, organizado pelo Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Este Congresso destina-se aos alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário, numa parceria inovadora entre professores do Ensino Superior, professores do Ensino Básico e Secundário e alunos.


Os Objectivos do Congresso são:

Fomentar laços de trabalho e de colaboração entre professores e alunos das escolas básicas e secundárias e professores do Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Universidade de Coimbra (UC).


O congresso está centrado nos alunos e procura o desenvolvimento de competências promotoras da literacia científica e do seu desenvolvimento enquanto cidadãos, das quais se destacam:
  • A aprendizagem através da resolução de problemas;
  • A concepção e implementação de percursos de pesquisa;
  • A estimulação de atitudes críticas e solidárias em contexto de trabalho cooperativo;
  • A promoção da autonomia através da responsabilização no desenvolvimento dos trabalhos;
  • A compreensão dos mecanismos de validação e divulgação de resultados;
  • A compreensão do papel das Geociências na progressão do conhecimento sobre o Universo, a Terra, a Vida e a Sociedade;
  • O reconhecimento da relevância das Geociências no desenvolvimento das sociedades actuais;
  • A adopção de atitudes que contribuam para a sustentabilidade no planeta Terra.

01 Dezembro, 2009

Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - fotos (III)

Modelo do Sistema Solar (à escala) do Jardim Escola João de Deus de Leiria - apresentação:











Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - fotos (II)

Modelo Sol-Terra-Lua do Jardim Escola João de Deus de Leiria:




Parte exterior do Bar dos Pais e Encarregados de educação do 6º A:


Atelier de construção de modelos de constelações - professor Paulo Simões:



Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - as fotos

Apresentação do livro "O Mistério da Estrelinha Curiosa" pela autora (Leonor Lourenço):







Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - resenha final da actividade

No passado dia 21 de Novembro de 2009 decorreu, na Escola Básica Dr. Correia Mateus, em Leiria, a Festa da Astronomia das Escolas de Leiria, inserida nas actividades da Semana da Ciência e Tecnologia 2009 e do Ano Internacional da Astronomia. Organizada pelo Núcleo de Astronomia Galileu Galileu, pelos Blogues AstroLeiria e Geopedrados e pelos professores dos Sub-Departamentos de Ciências Naturais da Escola Correia Mateus, teve a participação de diversos pais e encarregados de educação, alunos, professores da nossa Escola (e de outras do seu Agrupamento) e de muitas outras Escolas.

À parte o facto de não ter tido observação astronómica (o céu esteve nublado...) tudo correu de feição: o bar dos pais do 6º A (em recolha de fundos para irem num intercâmbio de turmas aos Açores...!) era excelente, o modelo à escala, com um Júpiter de 1,5 metros diâmetro equatorial, dos planetas do sistema solar, feito pelos alunos e professores do Jardim Escola João de Deus de Leiria, estava um mimo, o Atelier de construção de modelos de constelações (feito pelo professor Paulo Simões) foi um sucesso, a apresentação do livro infantil “O Mistério da Estrelinha Curiosa” (feito pela autora, a educadora Leonor Lourenço) deixou-nos boquiabertos e até o modesto contributo deste vosso amigo não deslustrou (mostrei duas apresentações multimédia, uma ficheiro html sobre tempo de vida e aniversários noutros planetas, expliquei o céu nocturno com o programa SkyMap Pro 11 e ainda mostrei como usar este último programa).

Mas, sem dúvida, o ex-libris da nossa Festa foi o modelo mecânico Sol-Terra-Lua, feito por alunos, pais e encarregados de educação, funcionários e professores do Jardim Escola João de Deus de Leiria - estava um portento! Quem pode colocar-se na bicicleta que o movia ou pode ver a girar ficou desejoso de repetir a experiência - assim era fácil perceber os eclipses, as fases da lua ou mesmo as estações.

Aos muitos participantes que não se deixaram enganar pela chuva, os nossos agradecimentos - aos outros, a promessa de repetir o evento noutra data...!

Só para aguçar o apetite, os próximos posts terão umas fotos da actividade...

28 Novembro, 2009

Tertúlia da SCT 2009 - final

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho/António Gedeão
(Lisboa, 24.11.1906 - Lisboa, 17.02.1997)

(Caricatura in Blog Desenhos do Rui)

Filho de um funcionário dos correios e telégrafos e de uma dona de casa, Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu a 24 de Novembro de 1906 na lisboeta freguesia da Sé. Aí cresceu, juntamente com as irmãs, numa casa modesta da rua do Arco do Limoeiro (hoje rua Augusto Rosa), no seio de um ambiente familiar tranquilo, profundamente marcado pela figura materna, cuja influência foi decisiva para a sua vida.

Na verdade, a sua mãe, apesar de contar somente com a instrução primária, tinha como grande paixão a literatura, sentimento que transmitiu ao filho Rómulo, assim baptizado em honra do protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Responsável por uma certa atmosfera literária que se vivia em sua casa, é ela que, através dos livros comprados em fascículos, vendidos semanalmente pelas casas, ou, mais tarde, requisitados nas livrarias Portugália ou Morais, inicia o filho na arte das palavras. Desta forma Rómulo toma contacto com os mestres - Camões, Eça, Camilo e Cesário Verde, o preferido - e conhece As Mil e Uma Noites, obra que viria a considerar uma da suas bíblias.

Criança precoce, aos 5 anos escreve os primeiros poemas e aos 10 decide completar "Os Lusíadas" de Camões. No entanto, a par desta inclinação flagrante para as letras, quando, ao entrar para o liceu Gil Vicente, toma pela primeira vez contacto com as ciências, desperta nele um novo interesse, que se vai intensificando com o passar dos anos e se torna predominante no seu último ano de liceu.

Este factor será decisivo para a escolha do caminho a tomar no ano seguinte, aquando da entrada na Universidade, pois, embora a literatura o tenha acompanhado durante toda a sua vida, não se mostrava a melhor escolha para quem, além de procurar estabilidade, era extremamente pragmático e se sentia atraído pelas ciências justamente pelo seu lado experimental. Desta forma, a escolha da área das ciências, apesar de não ter sido fácil, dá-se.

E assim, enquanto Rómulo de Carvalho estuda Ciências Físico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as palavras ficam guardadas para quando, mais tarde, surgir alguém que dará pelo nome de António Gedeão.

Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na faculdade de letras da cidade invicta, prenunciando assim qual será a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos - professor e pedagogo.

Começando por estagiar no Liceu Pedro Nunes e ensinar durante 14 anos no Liceu Camões, Rómulo de Carvalho é, depois, convidado a ir leccionar para o liceu D. João III, em Coimbra, permanecendo aí até, passados oito anos, regressar a Lisboa, convidado para professor metodólogo do grupo de Físico-Químicas do Liceu Pedro Nunes.

Exigente, comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão. Tal como afirmava sem hesitar, ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação. E assim, além da colaboração como co-director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentra, durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusive, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção Ciência Para Gente Nova e muitos outros títulos, entre os quais Física para o Povo, cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970. A divulgação científica surge como puro prazer - agrada-lhe comunicar, por escrito e com um carácter mais amplo, aquilo que, enquanto professor, comunicava pela palavra.

A dedicação à ciência e à sua divulgação e história não fica por aqui, sendo uma constante durante toda a sua a vida. De facto, Rómulo de Carvalho não parou de trabalhar até ao fim dos seus dias, deixando, inclusive trabalhos concluídos, mas por publicar, que por certo vêm engrandecer, ainda mais, a sua extensa obra científica.

Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho não esquece a arte das palavras e continua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la.

Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas Movimento Perpétuo. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por outro, António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato a que se votou.

O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e,depois, no ensaio e na ficção.

A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época.

Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho.E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".

O professor Rómulo de Carvalho, entretanto, após 40 anos de ensino,em 1974, motivado em parte pela desorganização e falta de autoridade que depois do 25 de Abril tomou conta do ensino em Portugal, decide reformar-se. Exigente e rigoroso, não se conforma com a situação. Nessa altura é convidado para leccionar na Universidade mas declina o convite.

Incapaz de ficar parado, nos anos seguintes dedica-se por inteiro à investigação publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e o desejo da morrer determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.

Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assume a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias.

Quando completa 90 anos de idade, a sua vida é alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, é reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música.

Infelizmente, a 19 de Fevereiro de 1997 a morte leva-nos Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, aquando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos.

Avesso a mostrar-se, recolhido, discreto, muito calmo, mas ao mesmo tempo algo distante, homem de saberes múltiplos e de humor subtil, Rómulo de Carvalho que nunca teve pressa, mas em vida tanto fez, deixa, em morte, uma saudade imensa da parte de todos quantos o conheceram e à sua obra.

Tertúlia da SCT 2009 - VI

Como está quase a terminar a Semana da Ciência e Tecnologia de 2009, não podíamos deixar de recordar o mais famoso poema de Gedeão, imortalizado no saudoso programa Zip-Zip por Manuel Freire, aqui num filme muito interessante retirado do YouTube.



Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral
pináculo de catedral
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo de Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Columbina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

in Movimento Perpétuo, António Gedeão (1956)

26 Novembro, 2009

Tertúlia da SCT 2009 - V


Mais um poema de António Gedeão profusamente cantado (só tenho pena de não encontrar a versão de Manuel Freire...):


Poema da malta das naus

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.



in Teatro do Mundo - António Gedeão (1958)

25 Novembro, 2009

Tertúlia SCT - IV



Mais um poema de António Gedeão, magistralmente cantado por Adriano Correia de Oliveira e com música de José Niza:




Fala do Homem nascido


Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca para comer
e olhos para desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

24 Novembro, 2009

Tertúlia SCT 2009 - III

DARWIN CANTADO NA RUA




Philadelphia street performer Brett Keyser brings evolution to the people

23 Novembro, 2009

Tertúlia SCT 2009 - II


Para começar bem, aqui fica um filme, feito pelo autor deste post, com base no poema de António Gedeão Lágrima de Preta, cantado na sua versão original por Adriano Correia de Oliveira, com música de José Niza.




Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.


Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.


Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.


Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.


Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:


Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Tertúlia da Semana da Ciência e Tecnologia 2009


Começamos hoje (com uns dias de atraso...) a nossa Tertúlia on line comemorativa da Semana da Ciência e Tecnologia 2009.

Esta tertúlia serve, sobretudo, para fazer a comemoração da Semana da Ciência e Tecnologia 2009 e do aniversário do nascimento de Rómulo de Carvalho, com publicação de poemas, músicas, filmes e textos sobre este cientista e pedagogo e ainda dos textos do seu pseudónimo António Gedeão.

Para já este post é colocado em estereofonia pelos seguintes Blogues:

19 Novembro, 2009

Faz hoje 40 anos que a Apollo XII foi à Lua

Apollo 12 foi a segunda missão do Programa Apollo a pousar na superfície da Lua e a primeira a fazer um pouso de precisão num ponto pré-determinado do satélite, a fim de resgatar partes de uma sonda não tripulada enviada dois anos antes, a Surveyor 3, e trazer partes dela de volta à Terra, para estudos do efeito da permanência lunar sobre o material empregado no artefacto.





Apollo 12
Insígnia da missão
Estatísticas da missão
Módulo de comando Yankee Clipper
Módulo lunar Intrepid
Número de tripulantes 3
Lançamento 14 de novembro de 1969
16:22:00 UTC
Cabo Kennedy
Alunissagem 19 de novembro de 1969
06:54:35 UTC
3° 0' 44.60" S - 23° 25' 17.65" W
Oceanus Procellarum
Aterrissagem 19 de novembro de 1969
20:58:24 UTC
15° 47' S 165° 9' W
Órbitas 45 (órbitas lunares)
Duração ;Total:
10 d 4 h 36 min 24 s
Órbita lunar:
88 h 58 min 11,52 s
;Superfície lunar:
31 h 31 min 11,6 s
Imagem da tripulação
Conrad, Gordon e  Bean
Conrad, Gordon e Bean
Navegação
Último
Último
Apollo11 LOGO.JPGApollo 11
Apollo 13Apollo 13-insignia.png
Próximo
Próximo




Fala do Velho do Restelo ao Astronauta


Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti nem eu sei que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal soletramos, de olhos tensos,
Maravilhas de espaço e de vertigem:
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalme são brinquedos),
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome.



Poema de José Saramago (cantado por Manuel Freire)

18 Novembro, 2009

Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - 21.11.2009



LOCAL: ESCOLA BÁSICA DR. CORREIA MATEUS – LEIRIA

DATA: 21.11.2009 (SÁBADO)

HORÁRIO: 16.30 – 24.00 HORAS

ACTIVIDADES: ACTIVIDADE COM A REALIZAÇÃO DE ATELIÊS DIDÁCTICOS, MODELOS GIGANTES, APRESENTAÇÕES MULTIMÉDIA, DIVULGAÇÃO DE LIVROS E OBSERVAÇÕES ASTRONÓMICAS. HAVERÁ BAR COM COMIDA DURANTE TODA A ACTIVIDADE.

PROGRAMA

16.30 – 17.00 horas: Apresentação de modelo, gigante e à escala, do Sistema Solar (Jardim Escola João de Deus de Leiria).
17.00 – 17.15 horas: Apresentação multimédia – Morfologia Lunar (Fernando Martins)
17.15 – 18.00 horas: Apresentação multimédia – Meteoritos (a definir)
18.00 – 18.30 horas: Atelier de construção de modelos de constelações (Paulo Simões)
18.30 – 19.30 horas: Apresentação do livro infantil “O Mistério da Estrelinha Curiosa” e sessão de autógrafos (Leonor Lourenço)
19.30 – 20.30 horas: Apresentação multimédia – Uma visão actual do Sistema Solar (Fernando Martins)


OBSERVAÇÕES ASTRONÓMICAS

Haverá observação astronómica a partir das 18.00 horas, com astrónomos a explicar o que se vê. Para além dos telescópios e binóculos disponibilizados pela organização, os participantes podem trazer o seu material.


ALIMENTAÇÃO

Haverá Bar com refeições durante toda a actividade, com os seguintes itens à venda:
- rissóis
- pastéis de bacalhau
- bolos caseiros
- bifana no pão
- caldo verde com chouriço
- sumos
- cerveja
- vinho
- café
- outros
NOTA: actividade dos Pais e EE do 6º Ano – Turma A, cujas receitas serão usadas numa ida aos Açores.


OUTROS ASPECTOS
  • Haverá várias casas de banho disponíveis para os participantes;
  • Estará presente um modelo gigante interactivo do sistema Sol-Terra-Lua, do Jardim Escola João de Deus de Leiria;
  • Será feita a apresentação de trabalhos de alunos da Escola Correia Mateus;
  • Todas as apresentações multimédia serão em ecrã gigante;
  • Se houver mau tempo a observação será substituída por projecção em ecrã gigante com simulador do céu;
  • Os participantes poderão levar projecções multimédia ou programas usados se trouxerem material informático para se gravar.

ORGANIZAÇÃO

- Núcleo de Astronomia Galileu Galilei - Escola Básica Dr. Correia Mateus;
- Departamento de Matemática e Ciências Exactas - Escola Dr. Correia Mateus;
- Astrónomos e Professores da Região:
  • Fernando Martins
  • Paulo Simões
  • Fernando Cadima
  • João Cruz
  • Paulo Costa
  • Leonor Lourenço
LOCALIZAÇÃO DA ACTIVIDADE

A actividade decorrerá na Escola Básica Dr. Correia Mateus (nas proximidades do Centro Social e Paroquial Paulo VI), numa transversal da Rua Paulo VI, como podem ver neste mapa interactivo:


Ver mapa maior

SITES DE DIVULGAÇÃO

A actividade, que faz parte da Semana da Ciência e Tecnologia (Ciência Viva), está colocada no seguinte site:

- Haverá ainda referência à actividade nos seguintes sítios da Internet:
Site Oficial do Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus:

Blog AstroLeiria:


CONTACTOS - ORGANIZAÇÃO

- Professor Fernando Martins:
  • Telefone: 244 834 505
  • Telemóvel: 960 081 251
  • Fax: 244 845 019


DOWNLOAD - MATERIAL DE APOIO

09 Novembro, 2009

Parabéns Carl Sagan!

CANÇÃO DE HOMENAGEM A CARL SAGAN



No You Tube encontra-se esta canção de homenagem a Carl Sagan, que a 9 de Novembro, precisamente hoje, teria completado mais um aniversário, o 75.º, não fora a sua morte prematura por doença. O autor é John Boswell.


Parabéns Carl Sagan!

"[Sagan]
If you wish to make an apple pie from scratch
You must first invent the universe

Space is filled with a network of wormholes
You might emerge somewhere else in space
Some when-else in time

The sky calls to us
If we do not destroy ourselves
We will one day venture to the stars

A still more glorious dawn awaits
Not a sunrise, but a galaxy rise
A morning filled with 400 billion suns
The rising of the milky way

The Cosmos is full beyond measure of elegant truths
Of exquisite interrelationships
Of the awesome machinery of nature

I believe our future depends powerfully
On how well we understand this cosmos
In which we float like a mote of dust
In the morning sky

But the brain does much more than just recollect
It inter-compares, it synthesizes, it analyzes
it generates abstractions

The simplest thought like the concept of the number one
Has an elaborate logical underpinning
The brain has its own language
For testing the structure and consistency of the world

[Hawking]
For thousands of years
People have wondered about the universe
Did it stretch out forever
Or was there a limit

From the big bang to black holes
From dark matter to a possible big crunch
Our image of the universe today
Is full of strange sounding ideas

[Sagan}
How lucky we are to live in this time
The first moment in human history
When we are in fact visiting other worlds

The surface of the earth is the shore of the cosmic ocean
Recently we've waded a little way out
And the water seems inviting."



Post de Carlos Fiolhais, roubado ao Blog De Rerum Natura

07 Outubro, 2009

Amateur APOD 7 Out 2009

Caros amigos:

É com muito prazer que partilho convosco a minha primeira AAPOD (Imagem do Dia do Astrónomo Amador).
Uma das minhas melhores imagens de Júpiter...
Espero que gostem.
Dêem uma vista de olhos no site, pois tem várias fotos do dia de alguns astrónomos amadores portugueses :-)

http://astronomy.fm/aapod/2009-10-07_Jupiter.html



JC/09

01 Outubro, 2009

Actividade astronómica em Pombal - breve resenha

Na passada segunda-feira, dia 28 de Setembro de 2009, conforme por nós aqui referido, fomos até Pombal, à Escola Básica Marquês de Pombal, para realizar uma actividade astronómica.

À nossa espera estava o amigo Luís Costa, com a triste informação que tinha caído uma forte bátega na região e que muitos pensavam que a actividade não se iria realizar... Mas, como a Lua e Júpiter teimavam em espreitar por entre as nuvens, lá começámos a montar o telescópio - e a observação fez-se, com largas dezenas de pessoas! Também na apresentação multimédia esteve muita gente - pena foi que apresentação do livro infantil "O Mistério da Estrelinha Curiosa", pela autora, a educadora Leonor Lourenço, tivesse sido anulada...

Agora algumas fotos:









NOTA: disponibilizamos também o ficheiro Word com a folha de apoio para sessão de observação - AQUI.

24 Setembro, 2009

Observação Astronómica em Pombal


No dia 28.09.2009 (segunda-feira) iremos até Pombal, à Escola Básica Marquês de Pombal, fazer uma Observação Astronómica, das 21.00 às 24.00 horas, inserida nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia.


Para além da Observação Astronómica (a cargo do professores Fernando Martins e Paulo Simões) iremos divulgar o livro infantil "O Mistério da Estrelinha Curiosa", levando para tal a sua autora, a educadora Leonor Lourenço.



Para quem não sabe a localização da Escola onde se realiza a actividade, ela aqui fica:


16 Setembro, 2009

Deformações do Espaço-Tempo em Vila Nova de Paiva

Post roubado ao Blog De Rerum Natura:


Informação recebida da organização nacional do Ano Internacional da Astronomia (na foto Fráguas, Vila Nova de Paiva, Viseu):

Como é que os povos pré-históricos do ocidente da Península Ibérica se relacionavam com a Astronomia? E quais os desafios que enfrentamos no estudo das deformações do espaço-tempo? Os investigadores Luís Tirapicos, especialista em Arqueoastronomia, e Carlos Herdeiro, estudioso das supercordas, vão a Vila Nova de Paiva, no interior profundo de Portugal, para revelar o lado menos conhecido do estudo dos corpos celestes em Portugal.

São dois lados menos conhecidos da Astronomia, mas vão ganhar agora um novo relevo. A Arqueoastronomia e a Teoria das Supercordas constituem dois dos temas em destaque no IV Festival de Astronomia, que reunirá em Vila Nova de Paiva alguns dos mais prestigiados investigadores portugueses da área. A iniciativa decorre de 18 a 20 de Setembro no Auditório Municipal Carlos Paredes. A entrada é livre.

No dia 18 de Setembro (sexta-feira) às 18h45, logo após a sessão de abertura, terá lugar um dos pontos altos do festival, com uma palestra dedicada às Supercordas. O investigador Carlos Herdeiro, vencedor do Prémio Gulbenkian de Estímulo à Investigação Científica (2004), vai revelar a especialistas e curiosos os últimos avanços e desafios em matéria das deformações no espaço-tempo, explicando ainda que estudos estão em curso em Portugal. Doutor em Física-Matemática pela Universidade de Cambridge e com pós-doutoramento em Stanford (EUA), Carlos Herdeiro é investigador auxiliar no Centro de Física do Porto.

Em pleno Ano Internacional da Astronomia (AIA2009), o festival dá também especial destaque à Arqueoastronomia. Como é que os povos pré-históricos que habitavam o ocidente da Península Ibérica praticavam Astronomia? Que vestígios chegaram aos nossos dias e como é que estão a ser explorados? O investigador Luís Tirapicos, do Centro Inter-Universitário da História das Ciências e da Tecnologia, vai apresentar em Vila Nova de Paiva as últimas novidades de uma área de estudo menos conhecida em Portugal. A palestra “Arqueoastronomia no ocidente da Península Ibérica”, um dos pontos altos do IV Festival, terá lugar no dia 19 de Setembro (sábado) às 17 horas.

São vários os temas e investigadores de renome presentes em Vila Nova de Paiva. No primeiro dia, para além de Carlos Herdeiro, subirá ainda ao palco do Auditório Municipal Carlos Paredes o historiador espacial Rui Barbosa. Colaborador do NASASpaceflight (sítio de notícias da NASA dedicado à exploração espacial), onde tem publicado textos sobre os lançamentos orbitais da China, Rui Barbosa estará em Vila Nova de Paiva para falar do passado, presente e futuro da exploração lunar. A palestra terá início às 21 horas.

No dia 19 de Setembro e a par de Luís Tirapicos, o público terá a oportunidade de conhecer o trabalho do investigador Domingos Barbosa, do Instituto de Telecomunicações, na área da Rádio-Astronomia. Doutorado em Astrofísica e Técnicas Espaciais pela Universidade de Paris VII, Domingos Barbosa trabalhou, entre outras instituições de relevo, no Grupo de Astrofísica e Cosmologia Observacional do Prof. George Smoot (Prémio Nobel da Física 2006) e é actualmente investigador associado da missão espacial Planck Surveyor.

Ainda no sábado, a partir das 21h45, estará em Vila Nova de Paiva o coordenador nacional do Ano Internacional da Astronomia 2009, João Fernandes, que conversará com o público sobre o Universo e sobre o Sistema Solar. No mesmo dia, professores de todos os graus de ensino poderão aprender com Rosa Doran, do “Galileo Teacher Training Programme” (projecto de formação do AIA2009), dicas para introduzir a Astronomia nas salas de aula.

No dia 20 (domingo) às 9h30, Rosa Doran volta a falar com os professores sobre a Astronomia na escola, na oficina "Telescópios Robóticos, observar o Universo em sala de aula". Depois, é a vez do astrónomo Rui Azevedo andar com o público pelo "Berçário de estrelas". Às 17 horas, Alexandre Aibéo, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e coordenador científico do festival, vai falar sobre o "Universo a banhos".

Para além das palestras e oficinas, crianças e adultos poderão ainda, entre muitas outras actividades, passear pelo céu num planetário insuflável e espreitar o sol por telescópios especializados (sexta-feira a partir das 14h30), experimentar a Rádio-Astronomia (sábado às 15 horas), desfrutar de uma visita guiada ao Parque Botânico Arbutus do Demo (domingo às 15h50) e assistir à peça de teatro jovem "Eppur si muove", que aborda a contribuição de Galileu para a ciência como a conhecemos hoje (domingo às 18h30).

O IV Festival de Astronomia é organizado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva.

11 Setembro, 2009

Palestras em Lisboa

O NUCLIO - Núcleo Interactivo de Astronomia, em parceria com o Planetário Calouste de Gulbenkian e o Instituto Geográfico do Exército (IGeoE), promove um ciclo de palestras sobre temas que vão de encontro à celebração em 2009 do "Ano Internacional da Astronomia" e dos 150 anos da publicação da "Origem das Espécies" por Darwin. Estas palestras inserem-se no programa de Verão da Ciência Viva.

As sessões têm início às 21.30 horas e decorrem nos auditórios do IGeoE e do Planetário Calouste Gulbenkian. Indicações sobre a localização e como chegar aos locais podem ser encontradas nas seguintes páginas da Internet: IGeoE e Planetário.

Aqui ficam as duas últimas palestras, que se realizam hoje e amanhã:


11 de Setembro(IGeoE)

"Viagem - oportunidade"

Paulo Gama Mota

Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Dep. Antropologia

Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra

O Beagle ia fazer uma viagem importante para definir distâncias geográficas e para completar e pormenorizar a cartografia da costa da América do Sul. Era importante para os ingleses. Queriam ainda confirmar uns quantos pontos e resolver alguma incerteza de registos com valores diferentes. A cartografia era o elemento essencial da viagem.

Darwin participa como naturalista para fazer companhia ao comandante e para se aproveitar a viagem para recolher exemplares de fauna e flora de locais inexplorados.

E de repente temos uma revolução científica.



12 de Setembro (Planetário)

" Vida no universo: uma inevitabilidade cósmica?"


Francisco Carrapiço


Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, Departamento de Biologia Vegetal, Centro de Biologia Ambiental


Estamos sós no universo? A busca insistente duma resposta para esta pergunta tem inquietado o homem desde os primórdios da humanidade. Ao contemplar o firmamento numa noite sem nuvens, o homem inevitavelmente sentiu que estava perante algo que o transcendia e que obrigatoriamente tinha uma componente divina. O nosso conhecimento e mentalidade evoluíram, mas o fascínio pelo desconhecido continua bem vivo quando continuamos a olhar para o céu numa noite estrelada. Onde anteriormente víamos deuses e deusas, hoje vemos galáxias, estrelas e planetas, mas continuamos sem uma resposta coerente para a ancestral questão da existência ou não de vida no universo. Será, de facto, a Terra o único corpo celeste a conter organismos vivos no universo? A visão antropocêntrica da vida no cosmos tem sido expressa em numerosos ritos sociais e religiosos que estabelecem a ligação estreita entre o Homem e o seu eventual criador divino. Todos os livros sagrados das principais religiões que existiram e existem, defenderam ou defendem esse primado. O homem e a mulher, bem como todos os outros organismos vivos do nosso planeta seriam os únicos seres que habitariam o cosmos. Mas será de facto assim? A resposta pode ser encontrada através da investigação efectuada e em curso no domínio da Astrobiologia. Estes estudos deverão ser considerados como elementos reguladores da nossa própria dimensão no universo, com as inevitáveis consequências na maneira como o Homem se posiciona no complexo sistema cosmológico de que faz parte e naturalmente na relação que estabelece com o nosso planeta.

03 Setembro, 2009

Percurso pedestre na Serra dos Candeeiros


No dia 19.09.2009, sábado, vamos realizar - o Fernando e Adelaide Martins e os Blogues Geopedrados e GeoLeiria - um Percurso Pedestre no PNSAC, para professores das Escolas Rodrigues Lobo e Correia Mateus e seus familiares, bem para como os leitores dos blogues antes referidos.


A actividade começa às 06.30 horas da manhã, na Travessa da Rua das Olhalvas (junto ao Café Olhalvas), de onde se parte para a Bezerra (Porto de Mós). Os carros são deixados no início do Percurso (junto do campo de futebol) e depois é só fazer os cerca de 12 quilómetros (da Bezerra até à Corredoura e regresso ao ponto inicial), primeiro pela antiga linha de comboio e depois a meia encosta (passando no Carvalhal de Figueiredo).


O objectivo é partir para ver o nascer-do-Sol já no percurso (que demora cerca de 3 a 4 horas e é lindíssimo...), fazer um picnic no fim e depois decidir conjuntamente o que fazer à tarde (eu estava a pensar em ir à disjunção prismática de Portela de Teira, à depressão de Alvados ou até às pedreiras de Cabeço das Pombas)...


Os interessados deverão comunicar-nos a sua participação, até 6.ª-feira às 23.00 horas, via e-mail: fernando.oliveira.martins@gmail.com. É necessário calçado para trekking (umas boas botas - há pedras soltas no início do percurso...), boné, protector solar, bastante água e comida para partilhar no picnic.


Mapa da 1ª parte do Percurso


Percurso pedestre Bezerra - Corredoura


NOTA: post alterado - a data da actividade foi modificada por doença de um dos inscritos...

27 Agosto, 2009

A mentira do Marte Gigante de Agosto...

Publicamos na íntegra o seguinte e-mail da mailing-list Astronovas:



Observatório Astronómico de Lisboa

Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa



Todos os anos, nesta altura do ano, surge na Internet a notícia de que Marte estará muito próximo da Terra. Segundo a notícia, a grande aproximação aconteceria no dia 27 de Agosto, e nessa ocasião, Marte ficaria com o mesmo tamanho angular da Lua, podendo-se ver "duas luas" no céu. Esta noticia não tem qualquer fundamento!

Este boato, recorrente, têm surgido nos últimos seis anos porque Marte esteve realmente muito próximo da Terra em 27 de Agosto de 2003. Nesse dia o planeta vermelho esteve a "apenas" 55,76 milhões de quilómetros da Terra, a menor distância entre os dois planetas dos últimos 60 mil anos. Mas mesmo nessa ocasião, Marte esteve muito longe de se comparar em tamanho aparente ao nosso satélite natural, que mantinha um diâmetro aparente 72 vezes maior do que o de Marte.

O fenómeno de maior proximidade entre a Terra e Marte não se repete anualmente, as melhores fases de observação de Marte têm um período próprio que depende dos períodos de translação de Marte e da Terra em redor do Sol. Esse período é conhecido como período sinódico, e, para o caso de Marte, vale 780 dias, aproximadamente. O próxima vez em que o planeta vermelho e a Terra se encontram próximos ocorrerá só no dia 27 de Janeiro de 2010. Nessa dia a distância entre os dois planetas será de 99 milhões e 330 mil quilómetros: mais distante que o fenómeno ocorrido em 2003. Nessa ocasião, o tamanho aparente de Marte será, como sempre, muito menor que o da Lua. Nunca se poderá ver Marte do tamanho da Lua!

Este ano, durante a madrugada de 27 de Agosto de 2009, Marte estará no céu e poderá ser observado. O nascimento do planeta ocorrerá às 10.54 horas. A Lua estará na fase de quarto crescente.

Para obter mais informação sobre a "visibilidade do Planeta Marte em 2009" consulte no nosso site a página

http://www.oal.ul.pt/index.php?link=dados2009




**** ASTRONOVAS ****

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25 Agosto, 2009

Google Doodle do Dia - a apresentação pública da luneta de Galileu


Está giro - não está? O doutor Galileu Galilei teria adorado...

O motivo porque comemoramos o Ano Internacional da Astronomia foi há 400 anos

Telescópio foi apresentado há 400 anos
Galileu Galilei: O homem que abriu a janela pela qual continuamos a olhar o universo
25.08.2009 - 09h33 Nicolau Ferreira

O conhecimento que Galileu proporcionou não se cansa de expandir

Se mais nada houvesse, as quatro luas de Júpiter descobertas em 1610 por Galileu Galilei teriam sido suficientes para deixá-lo célebre. A 7 de Janeiro desse ano, o cientista, original de Pisa, olhou através de um telescópio fabricado por si - com mais qualidade do que o que tinha apresentado ao Senado de Veneza meses antes - e viu quatro luzinhas que giravam à volta de Júpiter e que pareciam estrelas.

A descoberta, como sempre, não lhe bastou e Galileu passou a fazer observações cuidadosas noite após noite. Com registos, esquemas, rigor, persistência. "Com Galileu, cada facto extraordinário que ele descobria passava imediatamente a objecto de estudo sistemático. É isto que é genial nele", lembra Henrique Leitão, investigador em História da Ciência da Universidade de Lisboa.

O estudo produziu frutos: as luzes, afinal, eram os primeiros quatro dos mais de 60 satélites que estão amarrados ao planeta gigante. As implicações da descoberta não tardaram e a curiosidade de Galileu estava apenas a começar a abanar o mundo. Muito mais estava para vir.

Um ano antes, Galileu era apenas um professor menor da Universidade de Pádua, com 45 anos, amante da mecânica, com dificuldades financeiras por ter de sustentar a família, longe de imaginar que um objecto baseado em princípios ópticos fosse transformá-lo num revolucionário da Astronomia. Nessa altura, o telescópio começava a aparecer como curiosidade em algumas feiras na Europa, depois de ter sido inventado na Holanda, em Outubro de 1608.

O que se conta, ou pelo menos o que Galileu conta, é que ouviu rumores na Primavera seguinte sobre o objecto. "Galileu, segundo o próprio, começou a fabricar o telescópio apenas com essa informação", explica Henrique Leitão, acrescentando que o cientista era muito bom artesão. Rapidamente foi aperfeiçoando o telescópio através do polimento das lentes, uma técnica que os artesãos da região dominavam.

O telescópio que apresentou ao Senado de Veneza a 25 de Agosto era um simples tubo com uma lente côncava do lado da ocular e outra convexa na objectiva. Durante o Verão, o instrumento ainda era visto como um objecto militar que dava um novo significado à frase "Vê os teus inimigos antes que eles te vejam".

Galileu entrou em contacto com o Senado com o objectivo claro de melhorar a sua posição na universidade. Apesar de ter conseguido a recompensa, tudo indica que não ficou muito contente com o aumento de rendimentos. Mas já não tirou mais a mão do telescópio e, algures durante o Outono, decidiu finalmente utilizá-lo para olhar o céu. O primeiro objecto que focou foi o que estava mais perto, o mais fácil de todos, o que é irresistível de olhar. Foi logo à primeira, com a Lua, que Galileu começou a fazer estragos na mentalidade da época. "As observações da Lua têm um carácter sistemático e de rigor que permitem retirar conclusões que mais ninguém retirou. Ele repara que a Lua é feita de montanhas e vales, consegue fazer uma estimativa da altura das montanhas", descreve também o investigador português. "A Lua fica apresentada como um enorme rochedo" e torna-se muito mais semelhante à Terra.

Ainda segundo Henrique Leitão, os desenhos de Galileu da Lua tinham tanta qualidade que as pessoas conseguiam identificar os pormenores a olho nu. A matéria celestial, a quinta-essência, o sagrado começam a ser postos em causa.

Depois, vieram as luas de Júpiter. Mas foi quando apontou o telescópio para Vénus, viu as fases que o planeta tinha e só conseguiu justificá-las através da teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico - desenvolvida quase cem anos antes e publicada no ano da morte do polaco, em 1543, que diz que o Sol é o centro do universo e não a Terra - é que percebeu a prova que tinha na mão e finalmente pôs o mundo a questionar a teoria geocêntrica.

Henrique Leitão resume: "Em 1600, estima-se que existam 10 copernianos em todo o mundo, só os eruditos conhecem a teoria. Com Galileu, a hipótese de Copérnico ganha os fóruns, as regras do jogo vão mudar. [Galileu] vai transformar o debate de superespecialistas numa discussão para toda a gente".

Objecto revolucionário
Filósofos, cientistas, artistas, poetas, teólogos, discutiram sobre as observações de Galileu. Foi efervescente. Muitas pessoas tinham telescópios de má qualidade e Galileu tornou a sua casa numa fábrica de telescópios para assegurar aos interessados bons instrumentos que permitissem realizar as mesmas observações. Por outro lado, ao mesmo tempo que ia fazendo os seus registos, os astrónomos jesuítas confirmavam o que o cientista via.

Há um entusiasmo único, um fascínio que faz com que Galileu inicie estas investigações e apresente tantas ideias. "Muitos dos seus documentos têm uma retórica fantástica", assegura o investigador português. "Apesar de Galileu não provar que a Terra se movia, as suas contribuições tornaram muito mais fácil acreditar que sim", explica por e-mail ao P2 Owen Gingerich, professor de Astronomia do Instituto de Astrofísica da Universidade de Harvard. "Ele ajudou a mudar as regras da ciência. Hoje, a ciência funciona muito mais por persuasão, com explicações alargadas e coerentes, e menos por provas."

Nada disto teria sido possível sem o telescópio, que Henrique Leitão diz ser "absolutamente revolucionário". "Muda a carreira de Galileu - era um professor menor e torna-se do dia para a noite no cientista mais importante da Europa. Torna o debate sobre a teoria de Copérnico obrigatório. É preciso compreender o instrumento, toda a literatura da altura mostra o fascínio pelo telescópio." Talvez tão incrível como isso é que, para a Astronomia, o telescópio permanece actual. "Continua a ser a melhor ferramenta, embora com formas e alcances bem mais evoluídos, colocados na terra ou no espaço", diz, por e-mail, Máximo Ferreira, astrónomo e coordenador científico do Centro de Ciência Viva de Constância.

Desafios actuais
Sem telescópios, um dos maiores desafios actuais da Astronomia não se concretizará. "Neste momento, os astrónomos estão a tentar encontrar planetas parecidos com a Terra com assinaturas de vida. Isto poderá bem ser encontrado na próxima década", explica Owen Gingerich, acrescentando que este desafio é muito diferente de encontrar vida inteligente, "que provavelmente não acontecerá durante os nossos tempos de vida".

Para Máximo Ferreira, a grande questão, onde está envolvido um maior número de investigadores, "está relacionada com a expansão do universo e com a identificação e (eventual) detecção da matéria e energia escuras". O astrónomo aponta a descoberta da matéria invisível, que não emite radiação - mas que pode ser inferida pela força gravítica que tem na matéria visível - para "daqui a algumas décadas".

Seria com certeza mais um exemplo da capacidade de observação, procura e imaginação do homem - que, em simultâneo, o torna cada vez mais pequeno no meio do cosmos, tal e qual Galileu fez há 400 anos. A Astronomia é, para Owen Gingerich, "a ciência que nos traz mais surpresas e mudanças na forma como nos vemos no universo"; "tirou-nos certamente do mundo fechado da Idade Média para o vasto universo de hoje". Não pára. Talvez por isso seja a mais revolucionária de todas as ciências, onde apostamos a fé no que ainda nos pode revelar, mesmo quando não percebemos os conceitos, mesmo que fiquemos mais confundidos com ideias como o futuro, o passado, o tempo ou as distâncias.

O conhecimento que Galileu proporcionou não se cansa de expandir. "Vamos ver coisas extraordinárias", defende Henrique Leitão. Mais do que agradecer ao astrónomo que foi perseguido pelas suas descobertas pela "inteligência das coisas" que nos deu, como fez António Gedeão no seu Poema para Galileu, vale a pena celebrar a janela que abriu apenas com um instrumento e o seu génio. "O futuro vai fazer-nos surpreender como as pessoas do século XVII foram surpreendidas com Galileu; a ciência é hoje tão fascinante como em 1609."

Curso de Astronomia no Centro de Interpretação Ambiental de Leiria

Informação recebida via e-mail:

Informa-se que, ainda, se encontram abertas as inscrições para Curso de Astronomia.


Descrição do Curso

- As temáticas abordam as origens da Astronomia, a observação do céu e o uso de cartas celestes e telescópios;

- Haverá também uma sessão prática de observação nocturna ao telescópio;

- Não são necessários requisitos mínimos para frequentar o curso, sendo este aberto a qualquer pessoa interessada;

- No final do curso é atribuído um Certificado de Participação e um CD com a apresentação de todas as aulas e o mais recente software de Astronomia



Formador

O curso será leccionado pelo astrónomo José Augusto Matos (FISUA – Associação de Física da universidade de Aveiro), formador e divulgador na área da astronomia.



Público Alvo

Maiores de 12 anos



Calendarização

5 de Setembro das 15h00 às 19h00, 12 de Setembro das 15h00 às 19h00 e 19 de Setembro das 16h00 às 20h00 e das 21h30 às 00h30



Local

Centro de Interpretação Ambiental de Leiria



Limite de inscrição

Mínimo de 24

Máximo de 30



Custo da Inscrição

€30,00



Inscrições

Centro de Interpretação Ambiental

Câmara Municipal de Leiria

Largo da República, nº 1

2414-006 Leiria

Telefone: 244 845 651

E-mail: cia@cm-leiria.pt

20 Agosto, 2009

Mini-formação sobre Observação Astronómica - fotos

Como aqui referimos anteriormente, no passado dia 13.08.2009, 5ª-feira, fizemos uma mini-formação, na Escola Correia Mateus (Leiria), sobre observação astronómica, com componente teórica (uso do programa SkyMap Pro 11) e componente teórica (utilização de telescópios).

Compareceram 7 pessoas, o que foi para nós uma surpresa... A Vera Ferreira (minha ex-aluna e actualmente no 3º Ano de Biologia da Universidade de Aveiro) trouxe quatro monitores de Campos de Férias da Caritas de Leiria e a sua irmã Margarida, fotógrafa de serviço e minha actual aluna de 7º Ano (passou para o 8º) e veio ainda uma professora de Físico-Químicas da Marinha Grande (a Ana Maria Santos, que já foi minha formanda numa Acção de Astronomia).

Deu para trabalhar com um Telescópio, ver algumas apresentações multimédia (que cedi aos participantes, tal como outros materiais...) e ainda trabalhar com o software SkyMap Pro 11.

E agora algumas fotos:









15 Agosto, 2009

Astrofesta na Várzea em 30.05.2009

No passado dia 30 de Maio de 2009 participei numa actividade muito interessante, organizada pelo Museu Etnográfico do Freixial e pela Escola EB 1 da Várzea: uma visita ao Museu, um Jantar volante, uma observação astronómica (feita por mim e pelo colega Paulo Simões) e visita à exposição dos trabalhos dos alunos dessa Escola.

Algumas fotos, enviadas pela minha aluna Margarida Ferreira:











12 Agosto, 2009

As Perseidas no Google


Hoje o Google está recordar, com o seu Google Doodle de hoje, que as Perseidas, a mais importante Chuva de Estrelas, está aí.

O nosso povo chama-lhes, simplesmente, Lágrimas de S. Lourenço. Basta ir para um local escuro, sem obstáculos para Norte e olhar nessa direcção para, pouco a pouco, ver estas famosas estrelas cadentes. E, se não as viram hoje, amanhã ainda é noite para tal - alguns dias antes e depois do pico máximo (12 de Agosto) tem ainda bastantes meteoros visíveis...

11 Agosto, 2009

Mini-formação sobre Observação Astronómica em Leiria


No próximo dia 13.08.2009, 5ª-feira, das 20.30 às 24.00 horas, na Escola Correia Mateus (Leiria) iremos fazer uma mini-formação sobre observação astronómica, com componente teórica (uso do programa SkyMap Pro 11) e componente teórica (utilização de telescópios).

Haverá disponibilização de software, materiais de apoio e diploma - se houver interessados devem contactar o coordenador do Núcleo de Astronomia Galileu Galilei, da Escola Correia Mateus em Leiria, via e-mail (fernando.oliveira.martins-arroba-gmail.com), indicando nome, instituição e conhecimentos de Astronomia.

05 Agosto, 2009

Hoje à noite há Eclipse Penumbral da Lua

Embora o eclipse quase não seja visível, esta noite há um eclipse penumbral da Lua (isto é, a Lua passa pela penumbra da Terra, pelo que quase não se vê o eclipse).

Segundo Observatório Astronómico de Lisboa, os dados do Eclipse penumbral da Lua, em 5-6 de Agosto:
  • A Lua entra na penumbra no dia 5 às 23.01 horas
  • Meio do eclipse no dia 6 às 00.39 horas
  • A Lua sai da penumbra no dia 6 às 02.17 horas
  • Grandeza penumbral do eclipse = 0.428, considerando o diâmetro da Lua como unidade
Mais dados, da página da NASA sobre Eclipses, AQUI.

28 Julho, 2009

A Astrofesta de Lisboa



Informação recebida da organização do Ano Internacional da Astronomia (via Blog De Rerum Natura):

André Roque, 7 anos, vai juntar-se a investigadores portugueses para falar de Astronomia. Sessões de planetário, passeios pela Lua, Júpiter e Saturno e uma feira de materiais científicos são outras das atracções da Astrofesta de Lisboa

Chama-se André Roque, tem apenas 7 anos e frequenta a Escola de Lamaçães, em Braga. E no dia 1 de Agosto vai estar em Lisboa para orientar uma palestra sobre "O Nascimento do Universo", num palco a que subirão investigadores portugueses da área da Astronomia. Sessões de planetário, passeios pelo céu estrelado, com paragem obrigatória na Lua, Júpiter e Saturno, e uma feira de livros, vídeos e instrumentos científicos são outras das atracções da Astrofesta de Lisboa. A iniciativa decorre de 29 de Julho a 2 de Agosto no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa (UL). As entradas são gratuitas.

No Ano Internacional da Astronomia e depois de ter corrido Portugal de Norte a Sul nos últimos 15 anos, a Astrofesta realiza-se pela primeira vez em casa, no Museu da Ciência da UL, na Rua da Escola Politécnica. O objectivo é envolver a população numa comemoração científica que tem mobilizado milhares de pessoas, ano após ano, por todo o país.

Nos dias 29 e 30 de Julho (quarta e quinta-feira), a Astrofesta arranca às 18.00 horas com palestras sobre o Universo. Às 19.30 horas, no planetário, pequenos e graúdos poderão desfrutar de viagens guiadas pelo céu de Portugal, orientadas por Máximo Ferreira, do Museu da Ciência da UL, seguidas de um passeio telescópico pelo céu nocturno, com paragens na Lua, Júpiter e Saturno, no terraço do Museu da Ciência.

No dia 29, "Galileu - imaginação, espanto, incompreensão" é o tema da palestra de abertura da Astrofesta, com o professor catedrático António Manuel Nunes dos Santos, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. No dia 30, o investigador Paulo Crawford, do Observatório Astronómico de Lisboa, vai contar ao público a história do astrofísico que provou, em solo então português, a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, na palestra "Eddington e o Eclipse de 1919".

Na sexta-feira, 31 de Julho, às 18.00 horas, terá lugar a sessão oficial de abertura da Astrofesta, com intervenções da directora do Museu da Ciência da UL, Ana Maria Eiró, e do presidente da Sociedade Portuguesa de Astronomia, Miguel Avillez. Às 19h30, Rui Agostinho (Faculdade de Ciências da UL) vai explorar os mistérios do Big-Bang, numa viagem pela formação do Universo e pela evolução das Galáxias. Quando a noite cair, os curiosos poderão embarcar em mais sessões de planetário e de observação do céu por telescópios.

No dia 1 de Agosto, o pequeno André Roque é o primeiro orador de serviço na Astrofesta, às 11 horas, com uma palestra sobre "O Nascimento do Universo". Logo a seguir, os curiosos entram no planetário para uma sessão sobre a Astronomia escondida n' "Os Lusíadas", de Luís de Camões, e na viagem de Vasco da Gama à Índia.

Às 15.00 horas, Miguel Pinto (Clube Celta) vai apresentar filmes astronómicos realizados por astrónomos amadores. Às 16.00 horas terá lugar o lançamento do livro "O Detective do Cosmos", do físico americano Mani Bhaumik.

Máximo Ferreira (Museu da Ciência), Bruno Henriques (Instituto de Cosmologia e Gravitação de Portsmouth), Guilherme de Almeida e Miguel Claro (Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores), José Matos (FISUA - Associação de Física da Universidade de Aveiro), Jorge Fontes (Astrotaipas) e João Paulo Vieira (ORION - Sociedade Científica de Astronomia do Minho) são alguns dos oradores que preencherão a tarde e a noite do terceiro dia da Astrofesta, que terá ainda sessões de planetário e observações astronómicas. O Big-Bang, os mitos que continuamos a perpetuar sobre a Lua, a história de Galileu e truques sobre telescópios serão alguns dos temas abordados.

O final da Astrofesta faz-se com um convidado vindo directamente da Universidade de Oxford. No dia 2 de Agosto às 11.00 horas, o investigador Pedro Gil Ferreira fecha os quatro dias de comemorações com uma sessão sobre "O legado de Eddington e Einstein nos dias de hoje".

A Astrofesta é uma iniciativa promovida pelo Museu da Ciência da Universidade de Lisboa e está integrada nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009).

O AIA 2009 é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, da Agência Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS).

24 Julho, 2009

A tripulação da Apollo XI aterrou na Terra há 40 anos

Há exactamente quarenta anos, às 17.50.35 horas (portuguesas), regressava à Terra a nave espacial (ou o que restou dela - o módulo de comando...) com os três astronautas que partiram rumo à Lua: Neil Armstrong (comandante), Edwin Aldrin (piloto do módulo lunar) e Michael Collins (piloto do módulo de comando e o único da tripulação a não pisar a Lua).



22 Julho, 2009

O eclipse em directo

Para os noctívagos ainda acordados, outro local da Internet para verem o eclipse em directo:

Novidades astronómicas

Neste Ano Internacional da Astronomia, numa altura em que tanto se fala desta Ciência, duas novidades interessantes...

1. Site do Público sobre o Ano Internacional da Astronomia


Com notícias fresquinhas, links para sites, blogues e afins, críticas a livros, referência a actividades, é um local excelente para visitar:



2. Google Moon


Para quem usa o Google Earth ou o Google Maps, é um local delicioso para visitar: localização das alunagens, alguns mapas topográficos e geológicos, fotografias e muitas outras coisas para descobrir:

Notícia do Público sobre o Eclipse Total do Sol de 22.07.2009

Investigadores vão aproveitar fenómeno para estudar o Sol
Ásia vai escurecer amanhã com o eclipse solar mais longo do século
21.07.2009 - 18h04 PÚBLICO

Um eclipse solar total vai passar pela Ásia, Japão e pelo Pacífico durante quarta-feira. Será o eclipse solar mais longo deste século, com uma duração maior do que cinco minutos.

O eclipse vai ter início no golfo de Khambhat, a Norte de Bombaim, e vai mover-se para Este, escurecendo a Índia, o Nepal, Burma, Bangladesh, Butão e a China. Depois continua para o Pacífico passando pelo Japão, e será visto pela última vez a partir da ilha de Nikumaroro, no Kiribati.

Mas a maior parte do continente asiático vai pelo menos ter oportunidade de ver parcialmente o eclipse. O fenómeno astronómico vai ter início esta madrugada às 01h14m54s (hora de Lisboa), e vai durar cerca de quatro horas. Pode ser seguido em tempo real no site Live! Eclipse 2009.

O último eclipse total, em Agosto de 2008, durou 2m27s, este vai chegar aos 6m39s. A grande duração vai ajudar os cientistas a estudar fenómenos solares. “Vamos ter que esperar algumas centenas de anos para ter outra oportunidade para observar o eclipse solar que dure tanto tempo, por isso é uma oportunidade muito especial”, disse à AP Shao Zhenyi, astrónomo do Observatório Astronómico de Xangai, na China.




NOTA: é já esta madrugada que pode ser visto, ao vivo ou via Internet, este eclipse. Para os azarados que não foram para a Índia, China, Japão ou Kiribati, aqui fica o site Live! Eclipse 2009 referido na notícia:

21 Julho, 2009

That's one small step for man, one giant leap for mankind

Muitos portugueses, amontoados junto às raras televisões da época, viram o momento histórico. Depois de um descanso obrigatório e de ter vestido o fato espacial, Neil Armstrong pode dizer a sua histórica frase e deixar as suas pegadas na Lua... Passeou na Lua (o comandante Armstrong, seguido do piloto do módulo lunar Aldrin) durante duas horas, trinta e seis minutos e quarenta segundos, tendo estado no nosso satélite apenas vinte e uma horas trinta e um minutos vinte segundos (trazendo apenas 21,55 kg de rochas selenitas...) mas fez-se História...!


Esposa, filha ou irmã da terra

Do Blog Sopas de Pedra, do geólogo Professor Doutor Galopim de Carvalho, publicamos, com a devida vénia, o seguinte post:


FAZ HOJE 40 anos que Neil Armstrong pisou o solo lunar, um facto notável que testemunha não só o poder da ciência e da tecnologia, mas também a bravura dos que protagonizaram aventura semelhantes, a começar pelos navegadores de quinhentos que deram “novos mundos ao mundo”.

Muito se escreveu e continua a escrever sobre o nosso inseparável e belo satélite natural. Da ficção à ciência, passando pela poesia, a Lua sempre esteve presente bem dentro das nossas vidas. Como geólogo, sempre esta nossa companheira ocupou parte importante da minha curiosidade. Acompanhei com o maior entusiasmo, sobretudo, através da imprensa escrita, a competição americano-soviética pela conquista do espaço, a meados do século que passou. Recordo o discurso do presidente John F. Kennedy, no início dos anos 60, em que afirmou que, até ao fim da década, a América enviaria uma missão tripulada ao solo lunar e trá-la-ia, em segurança, de volta à Terra. Recordo a madrugada de 20 de Julho de 1969, dia em que essa promessa foi cumprida, Colado ao televisor, vi, em directo, Neil Armstrong descer a escada da Apollo 11 e deixar no solo selenita a primeira pegada daquele passo gigantesco do génio humano.

Sem água nem atmosfera, não há na Lua o tipo de erosão que bem conhecemos na Terra. Por isso, o nosso satélite mostra-nos o mesmo visual de há mais de três mil milhões de anos. Uma superfície marcada por esparsos e vastos derrames de basalto – os chamados mares lunares – em contraste com vastíssimas regiões densamente pejadas de crateras de impacto meteorítico, pode ser vista por qualquer um com a simples ajuda de uns binóculos vulgares. Uma tal ausência de actividade erosiva faz com que a celebérrima pegada deixada pelo primeiro homem que ali chegou persista intacta por muitas dezenas de milhões de anos.

Aquando da minha estadia na capital dos franceses nos primeiros anos da década de 60, o nosso satélite era tema de ensino nas aulas de geologia da Universidade, ministradas pelo Prof. Charles Pomerol, cientista e grande divulgador, com quem tive frequente e proveitoso contacto. Ensinava ele que relativamente à origem da Lua se debatiam três concepções dominantes: A “Lua filha da Terra”, como uma porção desta que, desde muito cedo, se teria separado dela; a “Lua esposa da Terra”, como um corpo planetário estranho, vindo de algures e por ela capturado graviticamente; e a “Lua irmã da Terra”, de formação independente e simultânea, ambas geradas, lado a lado, nos primórdios da evolução do Sistema Solar. Para este professor, e segundo os elementos científicos então disponíveis, esta última concepção era a mais verosímil. Passaram quarenta anos de estudo intenso do nosso satélite e a convicção da maioria dos cientistas do presente é aquela que então se referia à Lua como filha da Terra.

Publicado no «DN» de 18 de Julho de 2009