30 novembro, 2006

Adeus Plutão...

Clicar nas imagens para ler...



Workshop de Astronomia: Alien vs Predator

Existirá vida inteligente no Universo? Durante os dias 18, 19 e 20 de Dezembro irá decorrer um workshop de Astronomia no Instituto Português da Juventude do Porto. Os temas vão desde a busca de vida inteligente no Universo até à História, passando pela Astrobiologia e pela Cosmologia.

O preço simbólico para os três dias é de 10 euros e o número de vagas é limitado. A idade recomendada para participar neste workshop é a partir dos 12 anos.

As inscrições terminam dia 14 de Dezembro e deverão ser feitas junto da Delegação Regional do Porto do Instituto Português da Juventude. Poderá enviar um email para ipj.porto@ipj.pt, contactar o IPJ através do 226 085 700, ou deslocar-se às suas instalações na Rua Rodrigues Lobo 98, no Porto.

Mais informação acerca do workshop e programa:

27 novembro, 2006

26 novembro, 2006

Morreu Mário Cesariny ...


Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006) foi um pintor e poeta, considerado o principal representante do surrealismo português.

Para conhecerem este grande homem, sugere-se o artigo na Wikipédia - clicar aqui. Aqui fica um seu poema, para quem desconhece o autor...


lembra-te

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

24 novembro, 2006

Comemoração da SCT - VIII



Homem




Inútil definir este animal aflito.

Nem palavras,

nem cinzéis,

nem acordes,

nem pincéis

são gargantas deste grito.

Universo em expansão.

Pincelada de zarcão

desde mais infinito a menos infinito.



in Movimento Perpétuo (1956)





Impressão digital



Os meus olhos são uns olhos,

E é com esses olhos uns

que eu vejo no mundo escolhos

onde outros, com outros olhos,

não vêem escolhos nenhuns.



Quem diz escolhos diz flores.

De tudo o mesmo se diz.

Onde uns vêem luto e dores

uns outros descobrem cores

do mais formoso matiz.



Nas ruas ou nas estradas

onde passa tanta gente,

uns vêem pedras pisadas,

mas outros, gnomos e fadas

num halo resplandecente.



Inutíl seguir vizinhos,

querer ser depois ou ser antes.

Cada um é seus caminhos.

Onde Sancho vê moinhos

D. Quixote vê gigantes.



Vê moinhos? São moinhos.

Vê gigantes? São gigantes.



in Movimento Perpétuo (1956)

Comemoração da SCT - VII



Rómulo Vasco da Gama de Carvalho/António Gedeão
(Lisboa, 24.11.1906 - Lisboa, 17.02.1997)

Filho de um funcionário dos correios e telégrafos e de uma dona de casa, Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu a 24 de Novembro de 1906 na lisboeta freguesia da Sé. Aí cresceu, juntamente com as irmãs, numa casa modesta da rua do Arco do Limoeiro (hoje rua Augusto Rosa), no seio de um ambiente familiar tranquilo, profundamente marcado pela figura materna, cuja influência foi decisiva para a sua vida.

Na verdade, a sua mãe, apesar de contar somente com a instrução primária, tinha como grande paixão a literatura, sentimento que transmitiu ao filho Rómulo, assim baptizado em honra do protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Responsável por uma certa atmosfera literária que se vivia em sua casa, é ela que, através dos livros comprados em fascículos, vendidos semanalmente pelas casas, ou, mais tarde, requisitados nas livrarias Portugália ou Morais, inicia o filho na arte das palavras. Desta forma Rómulo toma contacto com os mestres - Camões, Eça, Camilo e Cesário Verde, o preferido - e conhece As Mil e Uma Noites, obra que viria a considerar uma da suas bíblias.

Criança precoce, aos 5 anos escreve os primeiros poemas e aos 10 decide completar "Os Lusíadas" de Camões. No entanto, a par desta inclinação flagrante para as letras, quando, ao entrar para o liceu Gil Vicente, toma pela primeira vez contacto com as ciências, desperta nele um novo interesse, que se vai intensificando com o passar dos anos e se torna predominante no seu último ano de liceu.

Este factor será decisivo para a escolha do caminho a tomar no ano seguinte, aquando da entrada na Universidade, pois, embora a literatura o tenha acompanhado durante toda a sua vida, não se mostrava a melhor escolha para quem, além de procurar estabilidade, era extremamente pragmático e se sentia atraído pelas ciências justamente pelo seu lado experimental. Desta forma, a escolha da área das ciências, apesar de não ter sido fácil, dá-se.

E assim, enquanto Rómulo de Carvalho estuda Ciências Fisico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as palavras ficam guardadas para quando, mais tarde, surgir alguém que dará pelo nome de António Gedeão.

Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na faculdade de letras da cidade invicta, prenunciando assim qual será a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos - professor e pedagogo.

Começando por estagiar no liceu Pedro Nunes e ensinar durante 14 anos no liceu Camões, Rómulo de Carvalho é, depois, convidado a ir leccionar para o liceu D. João III, em Coimbra, permanecendo aí até, passados oito anos, regressar a Lisboa, convidado para professor metodólogo do grupo de Físico-Químicas do liceu Pedro Nunes.

Exigente, comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão. Tal como afirmava sem hesitar, ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação. E assim, além da colaboração como co-director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentra, durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusivé, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção Ciência Para Gente Nova e muitos outros títulos, entre os quais Física para o Povo, cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970. A divulgação científica surge como puro prazer - agrada-lhe comunicar, por escrito e com um carácter mais amplo, aquilo que, enquanto professor, comunicava pela palavra.

A dedicação à ciência e à sua divulgação e história não fica por aqui, sendo uma constante durante toda a sua a vida. De facto, Rómulo de Carvalho não parou de trabalhar até ao fim dos seus dias, deixando, inclusive trabalhos concluídos, mas por publicar, que por certo vêm engrandecer, ainda mais, a sua extensa obra científica.

Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho não esquece a arte das palavras e continua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la.

Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas Movimento Perpétuo. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por outro, António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato a que se votou.

O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e,depois, no ensaio e na ficção.

A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época.

Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho.E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".

O professor Rómulo de Carvalho, entretanto,após 40 anos de ensino,em 1974, motivado em parte pela desorganização e falta de autoridade que depois do 25 de Abril tomou conta do ensino em Portugal decide reformar-se. Exigente e rigoroso, não se conforma com a situação. Nessa altura é convidado para leccionar na Universidade mas declina o convite.

Incapaz de ficar parado, nos anos seguintes dedica-se por inteiro à investigação publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e o desejo da morrer determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.

Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assume a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias.

Quando completa 90 anos de idade, a sua vida é alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, é reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música.

Infelizmente, a 19 de Fevereiro de 1997 a morte leva-nos Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, aquando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos.

Avesso a mostrar-se, recolhido, discreto, muito calmo, mas ao mesmo tempo algo distante, homem de saberes múltiplos e de humor subtil, Rómulo de Carvalho que nunca teve pressa, mas em vida tanto fez, deixa, em morte, uma saudade imensa da parte de todos quantos o conheceram e à sua obra.

in http://www.citi.pt/

Caricatura in Blog Desenhos do Rui

Tributo a Freddie Mercury

Farrokh Bulsara, com o nome artístico de Freddie Mercury (Zanzibar, 5 de Setembro de 1946Londres, 24 de Novembro de 1991) foi o vocalista e líder da banda de rock britânica Queen. in Wikipédia (artigo completo AQUI)

Faz hoje 15 anos que Freddie nos deixou... Filho de pais indianos de etnia parsi (eram basicamente persas/iranianos da antiga religião monoteísta do Zoroastrismo) era portanto um cidadão do mundo, ansioso por viver e dar e receber tudo o que pudesse ao Mundo. Bissexual, acabou por contrair SIDA e morrer desta doença, tendo no dia anterior à sua morte admitido a sua situação terminal.

Animal de palco, único e raro, a sua actuação no Live Aid 85 foi para mim um dos melhores momentos de sempre de música ao vivo...

Aqui fica um vídeo, da YouTube, para recordar aquele que nunca morrerá enquanto for recordado...





23 novembro, 2006

Artigo publicado na revista e.Ciência


Sai um artigo meu, sobre a Semana da Ciência e Tecnologia, na revista electrónica e.Ciência n.º 114, de 23.11.2006, do grupo Cienciapt.NET. Intitulado "Semana da Ciência e Tecnologia - origem, passado, presente e futuro", fala em 3 pequenas páginas (25, 26 e 27), de Gedeão/Rómulo de Carvalho, da origem da Semana da Ciência e Tecnologia, das actividades que se fazem (fizeram/farão) nestas comemorações e de coisas que eu tenho feito para recordar António Gedeão.

Ainda na mesma revista, na página 35, é feita uma pequena súmula das actividades do Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus, em que eu estou envolvido, nomeadamente as Comemorações on-line da Semana da Ciência e Tecnologia, a Formação sobre Blogues (feita ontem) e a ida à Gesseira de Souto da Carpalhosa, no sábado.

Leiam, que vão gostar...

Para ler, clicar aqui neste LINK.

Comemoração da SCT - VI

Utilização de Blogues como ferramenta de trabalho em Contexto Escolar





Decorreu ontem, dia 22.11.2006, das 14.15 às 16.15 horas, na Sala da Internet da Escola Correia Mateus, a mini-formação sobre Blogues que tinhamos previsto realizar.

Com a presença de 24 pessoas (um bocadinho exagerado o número, mas o interesse da malta era tanto que...) decorreu com alguns sobressaltos iniciais (o videoprojector dava uma imagem pequena e o portátil de substituição crashou...).

No entanto toda a gente saiu dali a saber fazer um blogue e a modificá-lo, embora precisasse de mais uma hora para os pormenores que qualquer blogger gosta de aprender (os pormenores que podem tornar único um determinado Blogue...).

Agradecemos à Organização (Equipa TIC e Departamento de Ciências Físicas e Naturais da da Escola Correia Mateus e ainda os Blogues AstroLeiria e Geopedrados), bem como aos professores Alfredo Alves, à Benilde Santos (professora de TIC da Escola), ao António do Directivo (e a toda a Comissão Executiva), ao José Pinto, ao Jorge Ventura, ao Júlio Redondo, à Madalena Gouveia, ao Gil Campos, ao ZéTó, ao Paulo Kellerman da Secretaria e ainda aos colegas participantes, por me aturarem duas horas...

Se houver interessados, a Formação será novamente feita, em moldes similiares a este ou, com número mais reduzido de professores, num eventual Nível II, mais complicado...

Página que serviu de suporte à Acção:
http://blogues.correiamateus.googlepages.com/home

NOTA - as páginas - e seus anexos - continuarão activas e serão regularmente actualizadas, bem como Blog da Escola, que serviu de modelo para a apresentação, será em breve apresentado à Comunidade Escolar

E agora, aqui ficam as fotos do evento, feitas por António Oliveira - da Comissão Executiva da Escola:




22 novembro, 2006

Comemoração da SCT - V


Poema da malta das naus
 
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.


Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.


Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.


O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.
 
                   António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958

21 novembro, 2006

Comemoração da SCT - IV


Recebemos este poema de uma nossa leitora, a Madalena, de 9 anos, autora do Blog Pomarão. É uma honra pudermos publicar a sua homenagem a Rómulo de Carvalho:

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho

Tem seu pseudónimo
António Gedeão
Nome engraçado
Pois termina em ão!

Poesia escreveu
Com palavras rimou
Algumas profissões escolheu
Um rumo tomou.

Pedra Filosofal
Lágrima de Preta
Seus mais conhecidos poemas
Bonitos de encantar
Muitos o leram
Como ele quiseram rimar.

Investigações fez
Deu-as a Portugal
Nobre país
Sua terra natal.

Importante foi
Rómulo de Carvalho
Em sua honra vamos ler
Estes versos
Em seu centenário.

Comemoração da SCT - III


Poema do Homem Só


Sós,

irremediavelmente sós,

como um astro perdido que arrefece.

Todos passam por nós

e ninguém nos conhece.



Os que passam e os que ficam.

Todos se desconhecem.

Os astros nada explicam:

Arrefecem



Nesta envolvente solidão compacta,

quer se grite ou não se grite,

nenhum dar-se de outro se refracta,

nehum ser nós se transmite.



Quem sente o meu sentimento

sou eu só, e mais ninguém.

Quem sofre o meu sofrimento

sou eu só, e mais ninguém.

Quem estremece este meu estremecimento

sou eu só, e mais ninguém.



Dão-se os lábios, dão-se os braços

dão-se os olhos, dão-se os dedos,

bocetas de mil segredos

dão-se em pasmados compassos;

dão-se as noites, e dão-se os dias,

dão-se aflitivas esmolas,

abrem-se e dão-se as corolas

breves das carnes macias;

dão-se os nervos, dá-se a vida,

dá-se o sangue gota a gota,

como uma braçada rota

dá-se tudo e nada fica.



Mas este íntimo secreto

que no silêncio concreto,

este oferecer-se de dentro

num esgotamento completo,

este ser-se sem disfarçe,

virgem de mal e de bem,

este dar-se, este entregar-se,

descobrir-se, e desflorar-se,

é nosso de mais ninguém.

20 novembro, 2006

Comemoração da SCT - II

Máquina do Mundo

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.

Daí que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.


António Gedeão in Máquina de Fogo

Comemoração da SCT - I



Na semana em que se comemoram os 100 anos do nascimento de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, nome do cientista e pedagogo também conhecido pelo pseudónimo literário de António Gedeão, o Blog associa-se às comemorações da Semana da Ciência e Tecnologia e do Dia Nacional da Cultura Científica, promovidas pela Ciência Viva, através da divulgação de alguma poesia deste autor.

Poema para Galileo

Estou olhando para o teu retrato, meu velho pisano,
aquele retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria...
Eu sei... Eu sei...
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!
Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar – que disparate, Galileo!
– e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação –
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente; Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se estivesse tornando num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas – parece-me que estou a vê-las –,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
a meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai, Galileo!
Mal sabiam os teus doutos juizes, grandes senhores deste pequeno mundo.
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.

in Linhas de Força (1967)

17 novembro, 2006

Um Pêndulo de Foucault em Estremoz...

A Terra roda...e em Estremoz vê-se!

Três séculos depois de Copérnico;
Dois séculos depois de Galileu;
Século e meio depois de Foucault,

Venha ver a Terra rodar em Estremoz.

No próximo dia 24 de Novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, o Centro Ciência Viva de Estremoz, inaugurará pelas 16H00, com a presença do Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, mais um módulo de grandes dimensões. Um pêndulo de Foucault com 11 metros de altura, que vai permitir visualizar a rotação do nosso Planeta.

Mais informações em:
http://www.estremoz.cienciaviva.pt

16 novembro, 2006

Teatro de graça...


A Ciência Viva inicia a Semana da Ciência e da Tecnologia convidando-os para a peça Galileu, de Bertolt Brecht.

A sessão tem lugar no Domingo, dia 19 de Novembro, às 16 horas, no Teatro Aberto, em Lisboa.

Bertolt Brecht escreveu esta peça entre 1938 e 1956, abordando situações da vida de Galileu que permanecem actuais, como a liberdade individual e a relação do cientista com a sociedade.

A atitude de Galileu face à experimentação marca o início da ciência moderna. Esta obra tem um significado muito especial neste ano em que se comemora o centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho, poeta, professor e grande divulgador da ciência e da experimentação como base do conhecimento científico.

A participação é gratuita. Reserve já os seus bilhetes através do telefone 21 891 71 00 ou pelo e-mail info@pavconhecimento.pt

O bilhetes têm que ser levantados até às 19 horas de Sábado, dia 18, no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, Lisboa.

Reserva limitada aos primeiros 200 pedidos.


Venha ao teatro connosco!


Esta encenação de Galileu é da autoria de João Lourenço, com dramaturgia de Vera San Payo de Lemos e o actor Rui Mendes no papel principal. O cenário é de João Lourenço e Henrique Cayatte, com uma forte inspiração em imagens e instrumentos científicos.

14 novembro, 2006

Big mancha solar


O Sol tem andado calmo, demasiado calmo, porém quem por estes dias para lá olhar irá ver uma mancha solar bem no centro, visível a olho nu (ATENÇÃO SÓ COM OS ÓCULOS DO ECLIPSE).


As contas são fáceis de fazer, para ser vista olho nu tem pelo menos 2 minutos de arco de diâmetro, ora a 150 milhões de km de distância isto dá, no mínimo, 87 mil km, ou seja o diâmetro de 7 Terras!


DÁ QUE PENSAR...

12 novembro, 2006

Semana da Ciência e Tecnologia


O Blog AstroLeiria irá participar activamente nas comemorações do I Centenário do nascimento do cientista e pedagogo Rómulo de Carvalho, mais conhecido pelo pseudónimo de António Gedeão, nado a 24.11.1906, integrando as suas actividades na Semana da Ciência e Tecnologia e no Dia Nacional da Cultura Científica, promovidas pela Ciência Viva.

As actividades que iremos realizar são as seguintes:


1. Comemoração on-line da Semana da Ciência e Tecnologia

Local: Internet
Data: 20 a 25.11.2006
Horário: Todo o dia
Destinatários: Qualquer pessoa
Actividades: Publicação on-line de poesia de António Gedeão (ou de outras sugeridas para o evento).


2. Mini-Acção de Formação "Utilização de Blogues como ferramenta de trabalho em Contexto Escolar "

Local: Escola Correia Mateus - Leiria
Data: 22.11.2006 (4ª)
Horário: 14.15 - 16.15 horas
Destinatários: Actividade para Professores, com prioridade para docentes do Departamento de Ciências Físicas e Naturais da Escola Correia Mateus, mas aberta a outros docentes da mesma Escola ou de outras Escolas.
Actividades: Workshop para professores sobre aprofundamento de conhecimentos sobre a utilização em contexto escolar dos Blogues, com especial ênfase na sua aplicação na divulgação científica, no uso com turmas e na sua adaptação ao contexto de uso local.

03 novembro, 2006

Observação remota com astrofotografia

No próximo dia 09.11.2006 (5ª-feira) das 09.30 às 11.00 horas, na Escola Correia Mateus, iremos fazer uma observação astronómica com recurso a um Telescópio situado no Arizona, através do qual poderemos fazer várias astrofotografias. Este actividade será realizada com alguns alunos do Núcleo de Astronomia Galileu Galilei e pelos colegas professores e astrónomos que queiram vir participar na actividade...
Ficamos à espera de inscrições...