24 agosto, 2008

Encontro de Astrónomos perto de Coimbra

Os membros do Fórum Galáctica (albedo.gem51.com) estão a organizar um encontro de astronomia focando a vertente prática, nos dias 30 e 31 de Agosto, perto de Coimbra, no observatório de Vila Nova. Criou-se uma página informativa para este encontro, com detalhes, localização e programa, que pode ser consultada aqui:



Recomenda-se a quem desejar ir, fazer uma inscrição até dia 29 de Agosto (na página online), pois permite ter uma ideia do número de participantes. Esta inscrição é obrigatória para aqueles que pretenderem jantar no local e/ou pernoitar dentro do edifício do observatório.

16 agosto, 2008

Excelente eclipse em Leiria!

Está quase no máximo e as nuvens (poucas...) foram embora. Está a ser óptimo, mesmo para quem, como eu, o está ver de casa, sem nenhum material, enquanto acompanho a bola...

;-)

Eclipse parcial da Lua de hoje

Hoje, logo a seguir ao pôr-do-sol, haverá um interessantíssimo Eclipse parcial da Lua (ocultando-se 81,3% da Lua atrás da sombra da Terra) e desta vez a horas decentes (a fase umbral começa logo a seguir ao nascer da Lua...).

Dados importantes para observar o eclipse:

1. Escolher um local sem obstruções para Este (o local onde nasce o Sol e onde irá nascer a Lua).

2. Se possível usar binóculos ou telescópio (há outras coisas para ver, nomeadamente Júpiter, Marte e Saturno, embora este fique abaixo do horizonte muito cedo...).

3. Ter atenção os horários (aproximados e em hora oficial de Portugal continental):
  • a Lua nasce (já na fase penumbral do eclipse) às 20.21;
  • o Sol põe-se às 20.29;
  • a fase umbral do Eclipse começa às 20.35;
  • o ponto máximo do eclipse é às 22.10;
  • a fase umbral do Eclipse termina às 23.44;
  • a fase penumbral do Eclipse termina às 00.57.
4. Estarem atentos ao tempo - podem dar uma vista de olhos à página do Instituto de Meteorologia português.


Mais dados e curiosidades, consultar o site da NASA (de onde veio a seguinte figura) de Fred Espenak sobre ECLIPSES...

(clicar para aumentar)

Actividades da Intercultura - AFS Portugal

Recebemos o pedido de divulgação das seguintes actividades da Intercultura-AFS Portugal, associação que nos merece todo o respeito e admiração...


Olá a Tod@s!!

A Intercultura-AFS Portugal é uma Associação de voluntariado, sem fins lucrativos e com Estatuto de Instituição de Utilidade Pública. Tem como objectivos contribuir para a Paz e Compreensão entre os Povos promovendo intercâmbios entre jovens e famílias com vista a uma educação intercultural e global.


O Programa AFS – Famílias de Acolhimento é o mais antigo e um dos mais bem sucedidos da Intercultura-AFS. É uma oportunidade única que permite aos jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos obter uma visão mais completa e profunda sobre a cultura e vida noutro país, ao viverem com uma família portuguesa e experimentarem uma cultura diferente. Assim, gostaríamos de vos convidar a participar na promoção da Educação Intercultural.

Em Setembro, chegam a Portugal mais de 70 jovens estrangeiros de todos os cantos do Mundo, para viver a sua aventura AFS.

Mesmo que não possam acolher neste próximo ano, contamos com a vossa colaboração na divulgação deste programa:
  • reencaminhando esta mensagem para os vossos contactos
  • colocando este apelo nos vossos sites ou blogs
  • pedindo materiais de divulgação à Sede

Procuramos Famílias Portuguesas que gostassem de participar neste projecto, acolhendo voluntariamente um jovem durante o próximo ano lectivo.

Para a Intercultura-AFS uma família de acolhimento é alguém com motivação e interesse em receber um jovem estrangeiro como um membro da sua família e não como um convidado ou hóspede. Uma família AFS pode ser constituída por apenas um membro (mãe ou pai), não é necessário ter filhos (da mesma idade), nem é necessário ter um quarto só para o estudante (pode ser partilhado com os irmãos de acolhimento).

Uma família de uma zona rural tem tanto para oferecer como uma família da cidade, pois cultura é a forma como vivemos o nosso dia a dia.

Uma família AFS não tem de falar Inglês ou nenhuma outra língua estrangeira, a experiência até nos mostra que os estudantes acolhidos por famílias que só falam português aprendem a nossa língua muito mais rapidamente!

Sendo um programa académico (que implica a participação activa na escola) não é necessário que a família de acolhimento viaje pelo país com o estudante. É mais importante que o integre no seu dia a dia e na vida familiar.

Em anexo encontram mais informações sobre os estudantes AFS (os processos podem ser pedidos via e-mail ou telefone).



Contamos com o vosso apoio!!!
Saudações Interculturais!

Carina Rino
Assistente de Desenvolvimento Organizacional

Intercultura-AFS Portugal
Rua de Sta. Justa, 38 – 4º
1100-485 - Lisboa
Tel: 213 247 070
Fax: 213 247 079

Mais informações em: http://www.intercultura-afs.pt

14 agosto, 2008

Júpiter e Ganimedes

No passado dia 29 de Julho apontei o C11 para Júpiter e saiu isto: o trânsito da sua Lua Ganimedes (visível junto ao limbo do planeta, do lado esquerdo) e a respectiva sombra.



(c) João Cruz/08

06 agosto, 2008

Nunca mais...

Faz hoje 63 anos que uma pequena bomba nuclear - Little Boy - destruiu a cidade de Hiroshima...


Ney Matogrosso - Rosa de Hiroshima


A rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Poema de Vinícius de Moraes

04 agosto, 2008

O que fazer com os óleos alimentares?

Post adaptado a partir de outro post do Blog Dino_Geológico:


Pela primeira vez, vai passar a existir em Portugal, uma resposta de âmbito nacional para o destino dos óleos alimentares usados. A partir de dia 15 de Julho, a AMI lança ao público este projecto que conta já com a participação de milhares de restaurantes, hotéis, cantinas, escolas, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.

A AMI dá com este projecto continuidade à sua aposta no sector do ambiente, como forma de actuar preventivamente sobre a degradação ambiental e sobre as alterações climáticas, responsáveis pelo aumento das catástrofes humanitárias e pela morte de 13 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Os cidadãos que queiram entregar os óleos alimentares usados, poderão fazê-lo a partir de agora. Para tal, poderão fazer a entrega numa garrafa fechada, dirigindo-se a um dos restaurantes aderentes, que se encontram identificados e cuja listagem poderá ser consultada no site www.ami.org.pt.

Os estabelecimentos que pretendam aderir, recebendo recipientes próprios para a deposição dos óleos alimentares usados, deverão telefonar (gratuitamente) para o número 800 299 300.

Este novo projecto ambiental da AMI permitirá evitar a contaminação das águas residuais, que acontece quando o resíduo é despejado na rede pública de esgotos, e a deposição do óleo em aterro. Os óleos alimentares usados poderão assim ser transformados em biodiesel, fornecendo uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis, e contribuindo desta forma para reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE). Ao contrário do que por vezes acontece com o biodiesel de produção agrícola, esta forma de produção não implica a desflorestação nem a afectação de terrenos, nem concorre com o mercado da alimentação.

São produzidos todos os anos em Portugal, 120 milhões de litros de óleos alimentares usados, quantidade suficiente para fabricar 170 milhões de litros de biodiesel. Este valor corresponde ao gasóleo produzido com 60 milhões de litros de petróleo, ou seja, o equivalente a cerca de 0,5% do total das importações anuais portuguesas deste combustível fóssil. A AMI dá assim a sua contribuição para favorecer a independência energética do país, conseguindo atingir este objectivo de forma sustentável e com uma visão de longo prazo, não comprometendo outros recursos igualmente fundamentais para o desenvolvimento da sociedade e para o bem-estar da população.

Segundo a União Europeia, o futuro do sector energético deverá passar pela redução de 20% das emissões de GEE até 2020, assim como por uma meta de 20% para a utilização de energias renováveis. Refere ainda uma aposta clara na utilização dos biocombustíveis, que deverão representar no mínimo 10% dos combustíveis utilizados.

A UE determina ainda que os Estados-Membros deverão assegurar a incorporação de 5,75% de biocombustíveis em toda a gasolina e gasóleo utilizados nos transportes até final de 2010 e o Governo anunciou, em Janeiro de 2007, uma meta de 10% de incorporação de biocombustíveis na gasolina e gasóleo, para 2010.

As receitas angariadas pela AMI com a valorização dos óleos alimentares usados serão aplicadas no financiamento das Equipas de Rua que fazem acompanhamento social e psicológico aos sem-abrigo, visando a melhoria da sua qualidade de vida.


Fundação AMI
Rua José do Patrocínio, 49
1949-008 Lisboa

Telefone: 218 362 100 | Fax: 218 362 199

E-Mail: reciclagem@ami.org.pt

Internet: www.ami.org.pt

Listagem das instituições de entrega de óleo


ADENDA
: Locais, segundo a lista oficial da AMI, de recolha de óleo em Leiria:

Café da Filiparmonica
Quinta da Cerca Corte 5 2410-487 LEIRIA

Jardim-Escola João de Deus
Av. Marquês de Pombal 2410 - 152 LEIRIA

Tromba Rija
Rua Prof. Portelas, nº22 Marrazes 2415-534 LEIRIA

Hotel Cristal Vieira Praia
Av. Marginal, Praia da Vieira 2420-696 Vieira de Leiria

Atlético Clube da Sismaria
Estrada da Estação nº56 2400-282 LEIRIA

Associação Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal de Leiria
Largo da Republica 2414-006 LEIRIA

Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo
Rua Afonso Lopes Vieira 2400-082 LEIRIA

Restaurante O Pitorrito
Rua Central 57A 2420-415 Machados LEIRIA

Tasca do Rogério
Rua dos Abades nº245 Abadia-Cortes 2410-841 LEIRIA

Croissanteria D. Afonso III
Rua João Cabral Lote 11 Cave Esq. 2410-273 LEIRIA

Mestrado em Ciências da Terra - Universidade de Coimbra


O Mestrado em Ciências da Terra foi estruturado, em particular, para os professores de Biologia e Geologia do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário.

O plano de estudos abrange muitos dos conteúdos dos programas das disciplinas de Ciências da Natureza, de Biologia e Geologia e de Geologia, bem como duas disciplinas de Seminário que facultam as bases para o trabalho de investigação em Ensino das Ciências da Terra.

O Mestrado em Ciências da Terra, com um total de 120 ECTS, tem uma duração mínima de 4 semestres e é dirigido aos professores que pretendam fazer formação ao longo da vida, que se traduza num grau académico, no âmbito das Ciências da Terra.

PLANO DE ESTUDOS DO MESTRADO EM CIÊNCIAS DA TERRA

1.º ANO/ 1.º SEMESTRE
  • Actividades Práticas em Geociências (*)
  • Epistemologia das Geociências (*)
  • Geohistória de Portugal
  • Seminário I
  • Sistemas Terrestres (*)
  • Terra no Espaço (*)

1.º ANO/ 2.º SEMESTRE
  • Comunicação em Geociências
  • Geociências e Saúde (*)
  • Geodiversidade e Geoconservação (*)
  • Gestão Sustentável de Recursos (*)
  • Riscos Geológicos e Ordenamento do Território (*)
  • Seminário II

2.º ANO
  • Dissertação em Ciências da Terra
(*) Unidades curriculares opcionais (3 por semestre)


As candidaturas ao Mestrado devem ser feitas no sítio web da FCTUC

Fases de candidatura para o ano lectivo de 2008/2009:
30 de Abril a 18 de Maio, 2 de Julho a 4 de Agosto e 22 a 30 de Setembro

Coordenadora do Mestrado: Celeste Romualdo Gomes (E−mail: romualdo@dct.uc.pt)

Plano de Estudos: AQUI



NOTA: Repare-se no facto de haver alguma Astronomia neste Mestrado de Geologia, o que é de louvar...!

ASTROFESTA 2008


Nos próximos dias 8, 9 e 10 de Agosto decorre em Serpa (na ALDEIA NOVA DE S. BENTO) a 15ª edição da Astrofesta, um encontro nacional que reúne astrónomos amadores e profissionais para troca de experiências.

Palestras, observações astronómicas diurnas e nocturnas e workshops de astronomia são algumas das actividades em que poderá participar.

Este evento é organizado pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa e pela Associação Rota do Guadiana e tem o apoio da Ciência Viva.

Eu, que já participei activamente numa (na 7ª Astrofesta, em Esposende, no ano de 2000) e estive na organização de outra (na 8ª Astrofesta, em S. Pedro de Moel - Marinha Grande, no ano de 2001) recomendo vivamente esta actividade...


Ficha de Inscrição (zipada) - AQUI

Página Oficial - AQUI

Para informações sobre alojamento e alimentação contacte
lojaciencia@museus.ul.pt

03 agosto, 2008

Governo faz propaganda e obriga os professores e realizar o trabalho logístico e operacional

Do Blog ProfAvaliação, de Ramiro Marques, publicamos o seguinte post:


A propósito das sessões contínuas de propaganda centradas nas escolas, de que são exemplos, a entrega de 500 mil portáteis e de 115 mil livros, dos prémios de 500 euros ao melhor aluno dos cursos científicos e humanísticos e ao melhor aluno dos cursos profissionais e a realização, no dia 12 de Setembro, em todas as escolas, do Dia do Diploma, recebi este comentário que merece ser lido:


É de facto lamentável que:
  • alunos com fome se continuem a sentar diariamente nas nossas salas de aula (desde o 1º ciclo ao secundário);
  • alunos sem posses tenham que ir para a escola sem material escolar;
  • sejam os professores que durante esta legislatura tem sido maltratados, insultados, privados de progredir e cuja carreira foi aniquilada, se vejam obrigados a ajudar os alunos com efectivas carências que o ME ignora;
  • se usem as verbas retiradas a esses mesmos professores, através de um ECD, concurso de Titulares e novas regras para a Aposentação, para se adquirirem 500 mil computadores e 115 mil livros, pondo desta forma em marcha a propaganda para as próximas legislativas.

Agora, exigir a esses mesmos professores que tenham o trabalho logístico de “distribuir os livros”, organizar os fantástico eventos do “dia do diploma” e da atribuição dos “500 Euros ao melhor aluno dos cursos científico-humanísticos e ao melhor aluno dos cursos profissionais ou tecnológicos “, coagindo-os a pactuar nessa vergonhosa propaganda, é demais!

M. José

Façam o Trabalho de Casa

Do Blog A Educação do meu Umbigo, de Paulo Guinote, publicamos o seguinte post:


Eu sei que é Agosto, que muita gente acha que a manifestação de 8 de Março e o Memorando de Entendimento foram os momentos marcantes do ano e que agora chegará fazer uns comunicados e umas declarações mais ou menos inflamadas, assim como umas reuniões para o «acompanhamento» do processo e que não há muito mais que se possa apresentar como serviço.

Discordo e, não duvidando da existência de quem faz mais do que isso com toda a dedicação e empenho pela causa dos docentes, eu proporia que quem tem como missão exclusiva tratar desses assuntos perdesse umas horas ou dias a calcular o que o ME poupou em matéria de congelamento da progressão das carreiras dos professores e com o sistema de quotas na progressão para titular.

A seguir fazer as contas exactas de quanto o ME vai, efectivamente, gastar com as acções de propaganda a desenvolver no início do próximo ano lectivo. Porque a distribuição de livros será coisa para meio milhão de euros, quanto muito. Assim como os prémios de mérito. E perceber quantos computadores vão ser mesmo oferecidos e o que isso representa em investimento, não a preço de mercado, mas a preço de custo.

Obtidos esses números, compará-los uns com os outros e perceber se quem anda a pagar os brilharetes do senhor engenheiro e da tríade ministerial da 5 de Outubro não será a bolsa dos professores.

E depois trabalhar para fazer passar essa mensagem, com firmeza, mas com com calma e sem a estridência do costume. Fazer passar o argumento e a sua demonstração e não os slogans que só convence mos convencidos e satisfaz os do costume. E guardem lá as vigílias e os batuques que servem bastante para conviver mas cada vez tendem mais a valer zero para a opinião pública.

Esse é que seria um trabalhinho bem feito para apresentar no início de Setembro.

Não se acanhem. Eu tentarei fazer a minha parte. Mas faltam-me os recursos, humanos e técnicos, que as estruturas sindicais ainda têm.

Deixem estar que ainda sobra tempo para apresentarem um bom bronzeado na chamada rentrée.

Interlúdio musical

Delfins - Nasce Selvagem




Mais do que a um país
que a uma família ou geração
Mais do que a uma passado
Que a uma história ou tradição
Tu pertences a ti
Não és de ninguém
Mais do que a um patrão
A uma rotina ou profissão
Mais do que a um partido
que a uma equipa ou religião
Tu pertences a ti
Não és de ninguém

Vive selvagem
E para ti serás alguém
Nesta viagem

Quando alguém nasce
Nasce selvagem
Não é de ninguém

Quando alguém nasce
Nasce selvagem
Não é de ninguém
De ninguém

A (Des)Ordem dos Professores

Do Blog De Rerum Natura publicamos, com a devida vénia, o seguinte post:


O nosso colaborador habitual Rui Baptista, na continuação do seu post anterior, esclarece sobre a necessidade de uma Ordem dos Professores:

Acabo por achar sagrada a desordem do meu espírito”.
Jean Rimbaud

Um dos óbices levantados à criação de uma Ordem dos Professores tem residido no facto de ser entendido que o professorado não encaixa na tipologia das profissões havidas como liberais “lato sensu”, porque exercidas exclusivamente por conta própria. Contudo, uma simples consulta à Enciclopédia Portuguesa e Brasileira não se mostra tão restritiva: “Liberal, diz-se da profissão como a magistratura, a medicina, a advocacia, o ensino por oposição a profissões industriais e comerciais”.

No desejo de encontrar o fio de Ariadne de uma controversa questão, afadiguei-me como postulante em buscas aturadas em fontes merecedoras de confiança. Deparei-me então com um parecer do Dr. Lopes Cardoso, à época bastonário da Ordem dos Advogados: “É necessário que, mesmo quando exercida em regime de contrato de trabalho, essa profissão seja reconhecida socialmente como relevando de grande valor precisamente porque exigindo, pelo menos, uma independência técnica e deontológica incompatível com uma relação laboral de pleno sentido. Com efeito, como tem sido definido doutrinalmente, a noção jurídica de subordinação aparece no direito moderno como perfeitamente compatível com a independência técnica do assalariado" (Cadernos de Economia, Publicações Técnico-Económicas, ano II, Abril/Junho de 1994). Assim, o professor com uma licenciatura satisfaz o requisito de produzir trabalho de natureza intelectual que deve ser reconhecido e valorizado socialmente.

Surge agora a Fenprof na Net, em 20 de Junho deste ano, a formular a pergunta: “Contribuirá uma ‘ordem’ para valorizar a profissão docente e unir a classe?” Considerando eu que sim e a Fenprof que não, devem ser colhidos dados de fontes mais credenciadas que meras opiniões pessoais ou ao serviço de interesses institucionais ou mesmo políticos. Um mero, mas elucidativo exemplo: “A Fenprof admitiu hoje repetir no próximo ano, por altura das eleições legislativas, a grande manifestação de docentes de Maio passado, prometendo apresentar uma ‘carta reivindicativa’ aos partidos políticos candidatos” (Sol, 31/Julho/2008). Ou seja, para além da tentativa em pôr novamente os professores ao serviço de uma certa orientação socioprofissional, assiste-se, outrossim, à desvalorização do contributo de outras forças da plataforma sindical e de movimentos de docentes não alinhados na manifestação dos 100 mil professores. Hoje, mais do que nunca, é pretendida a proletarização da classe docente, através da renúncia a uma deontologia profissional que salvaguarde as boas práticas da profissão e a sua “legis artis”, a exemplo de outras profissões, de idêntica responsabilidade e, por vezes, de menor exigência académica (v.g., Ordem dos Enfermeiros), tuteladas por ordens profissionais mesmo levando em linha de conta o facto de a nova Lei-Quadro das Ordens Profissionais ter amputado às futuras associações públicas a acreditação de cursos reconhecidos oficialmente.

Mas regressemos à pergunta da Fenprof. Segundo um estudo nacional de 2006, elaborado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco, cerca de 80% dos professores inquiridos “consideram importante a existência de uma Ordem”. Por outro lado, as 7857 assinaturas de professores na petição apresentada na Assembleia da República, em 2004 para a criação de uma Ordem dos Professores parecem não suscitar dúvidas sobre o interesse de uma parte substancial da classe docente na criação da Ordem.

Com o mesmo direito que assiste à Fenprof em fazer a pergunta, cabe-me perguntar: Não será o momento de pôr em causa a contribuição dos sindicatos para valorizar a profissão docente e unir a classe? Se não nos ativermos a meras questões salariais e horários de trabalho cometidos na Constituição aos sindicatos a resposta será sim. A dignidade docente não se compadece, por exemplo, com manifestações de rua pautadas por comportamentos incompatíveis com o estatuto de educadores.

O Prof. António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, numa conferência realizada no Brasil, em Outubro de 2006, a convite do Sindicato dos Professores de São Paulo, intitulada “Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo”, teceu valiosas considerações, de que faço o seguinte extracto:

“O primeiro desafio é a ideia de uma melhor organização da profissão. Os modelos de organização dos professores, e em particular dos modelos sindicais – falo da Europa que conheço melhor -, não têm sido capazes de atender aos grandes debates da profissão e aos grandes debates da escola. Isto é, eles não se renovaram suficientemente ao logo dos últimos 30 ou 40 anos. Ficaram um pouco prisioneiros de um combate num plano mais macro, que é um plano importante, sobre questões salariais, sobre determinadas conquistas dos professores, um plano absolutamente essencial. Mas eles não conseguiram criar um modelo de organização mais centrado nas escolas.

A profissão tem um deficit grande de organização no interior das escolas. Enquanto outras profissões conseguiram manter as duas camadas, uma mais macro, a exemplo das grandes ordens dos médicos, dos farmacêuticos ou engenheiros, que conseguiram manter um nível de debate político macro muito forte, mas isso não os impediu de terem modelos de organização nas instituições muito mais fortes do que os nossos. Os modelos de organização dentro das escolas são muito débeis, muito burocráticos. E isso tem-nos prejudicado muito”.

Pela analogia com outras profissões de igual merecimento social e igual exigência académica, só através de uma ordem profissional serão os docentes capazes de se libertarem de uma acção sindical projectada para além de competências plasmadas na Constituição Portuguesa.

02 agosto, 2008

Uma gota no oceano (raros são os casos em que há queixa)

Professores e auxiliares são as principais vítimas
Ministério Público registou 57 casos de violência nas escolas de Lisboa desde o início do ano
02.08.2008 - 13h48 PÚBLICO

Nos primeiros seis meses do ano, o Ministério Público registou 57 casos de violência nas escolas de Lisboa, avança hoje o “Correio da Manhã”, citando dados oficiais divulgados pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa. As principais vítimas são professores e auxiliares, agredidos por encarregados de educação.

Dos 57 casos – o que corresponde a uma média de duas agressões por semana - 34 ocorreram nos primeiros três meses. A incidência foi maior em Almada, com 21 casos.

Estes dados são o primeiro balanço oficial sobre violência no meio escolar, resultado da Lei de Política Criminal que entrou em Janeiro em vigor. Mas até ao momento só são públicos os dados do distrito judicial de Lisboa.


in Público - ler notícia

Água em Marte - diz a NASA

Robô conseguiu tocar-lhe e provou-a
A sonda Phoenix da NASA encontrou finalmente água em Marte
31.07.2008 - 22h54 Ana Gerschenfeld

A Phoenix, que poisou em Marte a 25 de Março, é um autêntico geólogo robotizado

“Temos água”, declarou, simplesmente, William Boynton, responsável pelo TEGA (Thermal and Evolved-Gas Analyzer), um dos instrumentos da sonda Phoenix da NASA, actualmente em missão no pólo norte de Marte. E acrescentou: “já tínhamos provas de que existe água gelada através das observações da sonda orbital Mars Odyssey e a sonda Phoenix tinha visto, no mês passado, pedrinhas de gelo a desaparecer. Mas esta é a primeira vez que tocamos e provamos água marciana.”

Foi no TEGA que uma amostra de solo marciano foi depositada hoje pelo braço da Phoenix e a seguir analisada. O TEGA é um minúsculo forno que permite aquecer as amostras para identificar os vapores produzidos. A amostra em questão, explica um comunicado da NASA, provinha de uma minúscula vala com cerca de cinco centímetros de profundidade. Mas, nos últimos dias, o braço tinha tido dificuldades para fazer a recolha de amostras de solo gelado e duas tentativas anteriores tinham falhado: as amostras ficavam coladas à espátula – algo que os responsáveis da missão não tinham previsto. Entretanto, como o solo permaneceu exposto dois dias à atmosfera, tornou-se mais fácil de manipular.

“Marte está a oferecer-nos algumas surpresas”, declarou Peter Smith, investigador principal da missão, da Universidade do Arizona, citado pelo comunicado. “É excitante porque quando surgem surpresas, as descobertas acontecem. Uma das surpresas é a maneira como o solo reage. As camadas ricas em gelo colam-se à espátula quando ficam ao sol, o que não corresponde àquilo que esperávamos com base nas nossas simulações. Foi um desafio introduzir as amostras [no TEGA], mas estamos a descobrir maneiras de o fazer e a recolher imensa informação que nos vai permitir perceber o solo de Marte.”

Face aos resultados, a NASA anunciou que a missão da Phoenix, que deveria terminar em finais de Agosto, vai ser prolongada até 30 de Setembro – mais cinco semanas do que o inicialmente previsto (90 dias). “A Phoenix está de boa saúde e as previsões em termos de energia solar parecem boas, portanto vamos aproveitar ao máximo as suas capacidades”, disse Michael Meyer, responsável pelo programa de exploração do planeta.

A Phoenix, que poisou em Marte a 25 de Março, é um autêntico geólogo robotizado e a sua missão é determinar se terá havido naquele planeta, nos últimos dez milhões de anos, condições para a existência de alguma forma de vida.

Com o seu braço robotizado de 2,35 metros de comprimento, consegue escavar o solo até meio metro de profundidade. As amostras colhidas pelo braço passam depois para outros instrumentos: para além do TEGA, um outro, o MECA (Microscopy, Electrochemistry and Conductivity Analyzer) analisa as suas propriedades físico-químicas e examina ao microscópio os seus minerais. A panóplia de instrumentos científicos da sonda inclui ainda uma estação meteorológica, que permite medir a água, as poeiras e a temperatura presentes na atmosfera. Uma câmara colocada no braço robotizado recolhe imagens do solo escavado, enquanto uma outra, num mastro, fotografa a paisagem.

in Público - ler notícia

01 agosto, 2008

O eclipse em directo - II

Estive a ver, em directo, o eclipse, com uns fantástico comentários em japonês. A fase de totalidade foi fantástica!


Agora outro site que está mostrar o eclipse:

O eclipse em directo!

Começou às 10.41 horas (hora oficial portuguesa de Verão) e pode ser visto excelentemente (fraco remedeio para os pobres que não podem ir vê-lo para a Sibéria ou China...) neste site:

Dia 1 de Agosto 2008 - Eclipse solar total

Do Blog astroPT publicamos o seguinte post:


Infelizmente ele terá lugar em terras bem distantes… Nem sequer o parcial chegará a Portugal. Assim veja a seguinte lista de webcasts a serem transmitidos amanhã.

A partir das 10.10 horas (hora portuguesa) comecem a visitar os webcasts:

http://sunearthday.nasa.gov/2008eclipse/

http://exploratorium.edu/eclipse/china2008.html

http://www.sems.und.edu/

http://novosibirskguide.com/eclipse-2008/live-broadcasting/ (onde estará uma equipa de portugueses a testemunhar o evento)

http://www.live-eclipse.org/


NOTA: Post 500º do nosso Blog...!