30 janeiro, 2008

Carta de uma Professora

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Chegou-nos, de diversas vias, a seguinte carta que uma professora mandou para diversos jornalistas e instituições, sobre Avaliação de Professores, ME e a qualidade de Ensino...

Boas! Deixo aqui a carta, que pretendo seja bastante esclarecedora, que enviei para vários figuras do meio cultural, político, jornalístico do país. Não me conformo em não fazer nada… isto é muito pouco, nada, atendendo à arrogância da senhora ministra, mas pelo menos, deito-me mais tranquila!
Enviei para o director do Expresso, J.N., Público, para a Inês Pedrosa (para ver se ela abre osolhos e não diz mais asneiras acerca dos prof's), para o Pacheco Pereira, para o António Barreto, para o Marcelo, para um jornalista do Sol que um dia me contactou, para o Presidente da República… ainda procuro o mail do Manuel Alegre (que a ele ninguém o cala) e do Sousa Tavares (com o mesmo objectivo da Pedrosa).

Se pensares em mais alguém, avisa. Nunca será demais.

Fátima


Boa noite,

Peço-lhe, por favor, dedique uns minutos à leitura desta missiva, já que é imperioso alertar o país para o estado calamitoso para o qual resvala, irremediavelmente, a Educação em Portugal, caso não se faça nada em contrário. Sou professora e não alimento nem a ilusão nem a pretensão de conseguir mudar muito. Mas V. Excia tem os meios para promover essa mudança.

Vai-me permitir a brutalidade do discurso, mas a situação é gravíssima, muito mais do que transparece tibiamente para o exterior, e este governo incompetente, cínico e prepotente vai conseguir destruir, não apenas o presente, mas, mais gravosamente, o futuro. E não, não estou a ser dramática. Antes estivesse.

1º ponto - Avaliação do desempenho dos professores.

Deve ficar bem claro que os professores querem ser avaliados! Cansados estamos todos de sermos enxovalhados em praça pública, porque nada no sistema distingue os maus profissionais dos bons! Não queremos é esta avaliação. E não é por capricho. É por ser abusiva, quase que surreal, de tão distante que está do conhecimento objectivo da realidade escolar. É despótica e brutal em todos os âmbitos, desde a planificação à implementação… chegando, neste caso, a ser perigosa. A incompetência e falta de lisura dos senhores que comandam o Ministério da Educação são gritantes e raia o patético. Não só insultam os professores, mas insultam (e é bom que todos se consciencializem disso) todos os portugueses, sempre que tentam passar a imagem de competência e profissionalismo.

Passemos aos factos, que poderá constatar com toda a facilidade (e nem os mencionarei todos, por serem tantos).

É pedido, digo, exigido, às escolas que, num prazo de 20 dias, a contar da data de publicação do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro seja implementado o processo de avaliação dos professores com base em documentos, despachos, grelhas, recomendações que, decorridos quinze dias sobre aquele prazo, não foram tornados públicos:

· Faltam as recomendações do Conselho Científico (”os avaliadores procedem, em cada ano escolar, à recolha, através de instrumentos de registo normalizados, de toda a informação que for considerada relevante para efeitos da avaliação do desempenho. Os instrumentos de registo referidos no número anterior são elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores.” - artigo 6º, ponto 1 e 2);

· sem aquelas recomendações, o Conselho Pedagógico não pode elaborar e aprovar os tais “instrumentos de registo”, nem se pode proceder à observação de aulas (artigo 17º);

· o regime da “observação de aulas” raia o absurdo, não porque os professores vejam inconveniente em serem observados (são-no, todos os dias), mas pela violência que representa para o avaliador. Invocando um Decreto Lei que, expressamente, referia que a redução dos departamentos para quatro apenas teria efeitos no concurso para titular (200/2007), o Ministério agora exige o que não é apontado neste despacho 2/2008: a reorganização dos departamentos naqueles quatro, instalando mais confusão num processo já de si tão escabroso e provocando a aglomeração grande número de docentes em cada um desses quatro departamentos. O meu, e do qual fui eleita coordenadora, entenda-se também, “avaliadora” (Departamento de Línguas), tem 31 professores. O das Ciências, por exemplo, tem quarenta e muitos professores. Como é possível que uma pessoa consiga assistir a três aulas por ano lectivo (neste ano, generosamente, apenas serão duas) de 30 professores? Além disso, como é possível acompanhar as planificações das aulas, diárias, desses trinta professores, reunir com cada um, definir objectivos, estratégias e instrumentos? Tudo isto mantendo um horário completo (sim, porque os avaliadores não têm redução alguma da sua componente lectiva, nem tão pouco qualquer alteração no seu salário, nem direito a horas extraordinárias), tendo o dever maior de cumprir com as suas turmas (que, para mim, é o realmente importante! Eu sinto-me responsável pelas minhas cinco turmas do 11º ano!), ao que acresce todo o trabalho burocrático e administrativo do Conselho Pedagógico, onde tenho assento e… as minhas próprias planificações! Sim, porque eu também serei avaliada, duplamente, como professora e como avaliadora! Poderei vir a tornar-me uma competentíssima avaliadora, mas, certamente, me tornarei numa pior professora. E isso é o que mais me angustia, porque eu gosto de dar aulas!

· é certo que no artigo 12º é apontada a possibilidade do coordenador “delegar as suas competências de avaliador noutros professores titulares, em termos a definir por despacho do membro do Governo responsável pela área da educação.”. Está bom de ver que… falta esse despacho.

· O que falta, por parte do Ministério, não se fica por aqui: falta o despacho que aprova as fichas de avaliação (artigo 35º), como falta o despacho relativo às ponderações dos parâmetros de avaliação (nº 2, artigo 20º), como falta o despacho conjunto de estabelecimento de quotas previsto no nº 4 do artigo 21º, como falta a portaria que define os parâmetros classificativos a realizar pela inspecção (nº 4 do artigo 29º), como falta o diploma que rege a avaliação dos membros dos conselhos executivos que não exercem funções lectivas (nº1 do artigo 31º).

· no artigo 8º pode ler-se: 1 — A avaliação do desempenho tem por referência: a) Os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada; b) Os indicadores de medida previamente estabelecidos pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada, nomeadamente quanto ao progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e a redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto socio-educativo.2 — Pode ainda o agrupamento de escolas ou escola não agrupada, por decisão fixada no respectivo regulamento interno, estabelecer que a avaliação de desempenho tenha também por referência os objectivos fixados no projecto curricular de turma.

Nada disto existia antes de 10 de Janeiro e não se altera o Regulamento Interno de uma Escola nem o seu Projecto Educativo, documentos estruturantes que envolvem a participação de todas a comunidade escolar (pais, professores, funcionários, alunos, autarquia) em 20 dias! A menos que se faça com a mesma rapidez, consistência e respeito pelos envolvidos com que o Ministério da Educação despacha leis.

2º ponto - Postura do Ministério da Educação

Creio que os aspectos já apontados seriam suficientes para traçar o negro perfil dos órgãos responsáveis pela área de educação, mas este Governo colocou a fasquia bem alta, daí que tenhamos notícia de algumas pérolas de… escapam-me já as classificações…. e que passo a enunciar (pelo menos, as que eu conheço pelos meios de comunicação social:

· Há dois dias atrás, a Sra Ministra respondeu aos jornalistas, a propósito do, chamemos-lhe, mal-estar manifestado pelas escolas, com a candura que caracteriza o seu discurso, que estavam reunidas todas as condições para se proceder à avaliação do desempenho e que o Ministério daria todo o apoio necessário (não encontrei a citação exacta).

No dia seguinte, é comunicado, através do site do DGRHE (http://www.dgrhe.min-edu.pt/), que “a contagem dos prazos definidos no artigo 24º do Decreto Regulamentar 2/2008 iniciar-se-á na data da divulgação na internet das recomendações do Conselho Científico para a Avaliação de Professores”. Então, não estava tudo a decorrer com normalidade? Até se perdoaria este “lapso” não estivesse o documento eivado de muitas outras arbitrariedades!

· As cerejas no topo do bolo, porque são duas, chegaram hoje com as afirmações do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira: «Os conselhos pedagógicos podem produzir os seus instrumentos sem essas recomendações. Não é obrigatório que as recomendações existam. O decreto regulamentar diz tendo em conta as recomendações que forem formuladas. Se não forem formuladas…»,

(http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=77274)

Creio que nem será necessário comentar uma declaração deste tipo… diz na lei, mas se não aparecerem as recomendações…

Extrapolando: aqueles despachos em falta… se não aparecerem… as escolas improvisarão, que já vão tendo prática disso.

· A outra cereja prende-se com o tal “Conselho Científico”. Aliás, está prevista para hoje a apresentação das famigeradas “recomendações”. O grotesco desta aparente prova de competência está bem expressa em mais uma afirmação do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, que refere que, estando “em funções há vários meses”, a presidente do Conselho Científico, esta elaborará as recomendações!

(http://dn.sapo.pt/2008/01/25/sociedade/ministerio_improvisa_solucoes_para_r.html)

Se isto não é um insulto a tudo o que são os princípios de um estado democrático, já não sei mais o que pensar!

Ora, lê-se no documento aprovado em Conselho de Ministros que regulamenta o Conselho Científico que “Este órgão consultivo será constituído por um presidente, cinco professores titulares em exercício efectivo de funções na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário, cinco individualidades em representação das associações pedagógicas e científicas de professores, sete individualidades de reconhecido mérito no domínio da educação e por três representantes do Conselho de Escolas (http://www.min-edu.pt/np3/1459.html).

. Por fim, o próprio Conselho Nacional de Escolas, criado para trabalhar em conjunto com o Ministério da Educação, levando para a mesa de trabalho a experiência de quem lida directamente com as escolas e seu funcionamento prático, tem feito várias recomendações às quais o Ministério não dá ouvidos

(http://jn.sapo.pt/2008/01/25/nacional/conselho_escolas_quer_adiar_avaliaca.html).

O que prova que este Conselho foi criado, apenas, para o Ministério poder invocar uma relação de lisura com as escolas que não acontece de todo. Em anexo, colocarei as propostas apresentadas por este Conselho.

3º e último ponto - Qualidade de ensino

Este é, a meu ver, o aspecto mais terrível desta arquitectura que o Ministério montou. Custa-me, na verdade, acreditar que pessoas de bem ajam com tanta leviandade e desprezo pelo futuro do país e é esta a razão da premência do meu apelo:

- esta torrente de grelhas, recomendações, parâmetros, planificações diárias, instrumentos, registos e afins esgotarão os professores num trabalho inglório e improdutivo, pois não estarão a trabalhar para os alunos, mas para a sua avaliação;

- o mais grave, ainda, gravíssimo! A subordinação da avaliação do desempenho dos professores e a sua progressão na carreira ao sucesso dos alunos (artigo 16º):

5 — Para o efeito da parte final do número anterior o docente apresenta, na ficha de auto -avaliação, os seguintes elementos:

a) Resultados do progresso de cada um dos seus alunos nos anos lectivos em avaliação:

i) Por ano, quando se trate da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico;

ii) Por disciplina, quando se trate dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;

b) A evolução dos resultados dos seus alunos face à evolução média dos resultados:

i) Dos alunos daquele ano de escolaridade ou daquela disciplina naquele agrupamento de escolas ou escola não agrupada;

ii) Dos mesmos alunos no conjunto das outras disciplinas da turma no caso de alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;

c) Resultados dos seus alunos nas provas de avaliação externa, tendo presente a diferença entre as classificações internas e externas.

Tenho a certeza que reconhece de imediato o perigo que isto constitui… nada mais fácil para um professor que “produzir” sucesso. Aliás, estou convicta de que é essa a intenção deste Governo, para assim poder ostentar, com orgulho, as grelhas e os números e o inquestionável sucesso destas medidas… porque os números estão acima de qualquer dúvida!

E, na verdade, tudo estará podre, sob essa capa de êxito. O sistema público de ensino passará a ser um faz-de-conta, um recinto para entreter os jovens… aqueles que não puderem pagar uma escola privada, que lhes garantirá um ensino exigente.

E não olhe com esperança para a alínea c!… a avaliação externa só existe em algumas disciplinas e em alguns níveis de ensino. Como vê… mais um factor de desigualdade entre professores: uns nunca passarão por essa bitola e serão, com toda a certeza, professores de sucesso! E já nem falo do que é subordinar a qualidade do desempenho de um professor à heterogeneidade das turmas que encontra (ambiente familiar e social, motivações pessoais, capacidades cognitivas, enfim, muitos dados em jogo). Eu já tive boas, menos boas e más turmas: será que a minha competência varia tanto?

Peço perdão pela extensão desta carta, mas o problema é por demais sério e, infelizmente, as arbitrariedades são tantas que não as consegui reduzir a menos.

Creia-me, preocupada, mas esperançosa, no poder que a comunicação social exerce sobre a opinião pública. Neste momento, o problema não é só dos professores, é do país inteiro. É uma cidadã, professora e mãe que lhe escreve.

Com elevada estima,

Fátima Inácio Gomes

Professora de Português do Quadro da Escola Secundária de Barcelos
Coordenadora do Departamento de Humanidades
Coordenadora do Departamento de Línguas (de acordo com o decreto 200/2007)

29 janeiro, 2008

Há coisas realmente fantásticas (parte II)

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Roubado ao Antero - Blog Anterozóide...

Há coisas realmente fantásticas!

Sondagem Gallup para o Fórum Económico Mundial
Professores são profissão em que portugueses mais confiam e a quem dariam mais poder

25.01.2008 - 12h29 Lusa

Os professores são os profissionais em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país, segundo uma sondagem mundial efectuada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF).
Os professores merecem a confiança de 42 por cento dos portugueses, muito acima dos 24 por cento que confiam nos líderes militares e da polícia, dos 20 por cento que dão a sua confiança aos jornalistas e dos 18 por cento que acreditam nos líderes religiosos.
Os políticos são os que menos têm a confiança dos portugueses, com apenas sete por cento a dizerem que confiam nesta classe.
Relativamente à questão de quais as profissões a que dariam mais poder no seu país, os portugueses privilegiaram os professores (32 por cento), os intelectuais (28 por cento) e os dirigentes militares e policiais (21 por cento), surgindo em último lugar, com seis por cento, as estrelas desportivas ou de cinema.
A confiança dos portugueses por profissões não se afasta dos resultados médios para a Europa Ocidental, onde 44 por cento dos inquiridos confiam nos professores, seguindo-se (tal como em Portugal) os líderes militares e policiais, com 26 por cento.
Os advogados, que em Portugal apenas têm a confiança de 14 por cento dos inquiridos, vêm em terceiro lugar na Europa Ocidental, com um quarto dos europeus a darem-lhes a sua confiança, seguindo-se os jornalistas, que são confiáveis para 20 por cento.
Políticos em último também na Europa
Em ultimo lugar na confiança voltam a estar os políticos, com dez por cento. A nível mundial, os professores são igualmente os que merecem maior confiança, de 34 por cento dos inquiridos, seguindo-se os líderes religiosos (27 por cento) e os dirigentes militares e da polícia (18 por cento).
Uma vez mais, os políticos surgem na cauda, com apenas oito por cento dos 61.600 inquiridos pela Gallup, em 60 países, a darem-lhes a sua confiança. Os professores surgem na maioria das regiões como a profissão em que as pessoas mais confiam.
Os docentes apenas perdem o primeiro lugar para os líderes religiosos em África, que têm a confiança de 70 por cento dos inquiridos, bastante acima dos 48 por cento dos professores, e para os responsáveis militares e policiais no Médio Oriente, que reúnem a preferência de 40 por cento, à frente dos líderes religiosos (19 por cento) e professores (18 por cento).
A Europa Ocidental daria mais poder preferencialmente aos intelectuais (30 por cento) e professores (29 por cento), enquanto a nível mundial voltam a predominar os professores (28 por cento) e os intelectuais (25 por cento), seguidos dos líderes religiosos (21 por cento).
28 por cento dos portugueses não confiam em nenhuma classe
A Gallup perguntou “em qual deste tipo de pessoas confia?”, indicando como respostas possíveis políticos, líderes religiosos, líderes militares e policiais, dirigentes empresariais, jornalistas, advogados, professores e sindicalistas ou “nenhum destes”, tendo esta última resposta sido escolhida por 28 por cento dos portugueses, 26 por cento dos europeus ocidentais e 30 por cento no mundo.
A Gallup questionou “a qual dos seguintes tipos de pessoas daria mais poder no seu país?”, dando como opções políticos, líderes religiosos, líderes militares e policiais, dirigentes empresariais, estrelas desportivas, músicos, estrelas de cinema, intelectuais, advogados, professores, sindicalistas ou nenhum destes.
A opção “nenhum destes” foi escolhida por 15 por cento em Portugal, 19 por cento na Europa Ocidental e 23 por cento a nível internacional.

in Público - ver notícia

23 janeiro, 2008

Modern times

E ainda dizem que o Ministério da Educação não está a conseguir o que pretende...? Vejam mais este exemplo de que está tudo a correr bem:

(Para ampliar, clicar na imagem)

22 janeiro, 2008

Ciência no Centro Comercial Dolce Vita (Coimbra)

Do Blog De Rerum Natura publicamos o seguinte post:


Informação recebida do Departamento de Física da Universidade de Coimbra:

Experimenta! no Dolce Vita

O Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) irá, através de uma série de experiências montadas na praça principal do Dolce Vita, mostrar como a física está na base da grande maioria da tecnologia e porque é que continua a fascinar engenheiros, professores e investigadores.

Dias 24, 25 e 26 de Janeiro poderá descobrir no Dolce Vita como funciona um Maglev ou como construir o motor mais simples do mundo. Descobrirá que é constantemente atravessado por raios cósmicos ou como funciona uma célula de combustível não poluente, que além de electricidade apenas produz água. Será ainda uma oportunidade para conhecer as capacidades do
computador mais potente de Portugal, a Milipeia, ou ver como funciona uma mini-hídrica.

Haverá oportunidade para construir o motor mais simples do mundo no local e serão oferecidos, durante os três dias, um total de 500 kits com o material necessário para construir um desses motores. Esta oferta é um patrocínio da ISA, uma empresa de base tecnológica que desenvolve
soluções nas áreas da Telemetria, Gestão Remota, Automação e Controlo e que foi fundada em 1990 por recém-licenciados do Departamento de Física da FCTUC.

Simultaneamente decorrerão duas palestras às 17.00 horas, nos dias 25 e 26 de Janeiro:

Dia 25 de Janeiro, no auditório da Bertrand:

“Energias renováveis: uma economia de hidrogénio?”, Doutor João Gil,
Departamento de Física, FCTUC

Dia 26 de Janeiro, na praça principal:

"Supercondutores", Doutor José António Paixão, Departamento de Física, FCTUC

As actividades desenvolvidas são especialmente dirigidas a alunos do secundário e ensino básico. Venha descobrir e experimentar no Dolce Vita, dias 24 e 25 das 12.00 -15.00 horas e das 17.00 - 20.00 horas ou dia 26 das 12.00-20.00 horas.

Programa da RTP 1 "AB CIÊNCIA"

A RTP pretende aproximar a Ciência do cidadão comum.

O “AB CIÊNCIA” pretende provar que a Ciência também é divertida e é destinado a toda a família.

Experiências realizadas em estúdio, rubricas diversas, entre as quais “A cozinha é um laboratório”, são alguns dos ingredientes do programa “AB CIÊNCIA”.

A apresentação está a cargo de Carlota Crespo, um novo rosto da RTP e do cientista Leonel Silva.


Horário do próximo programa

RTP 1 - Domingo 27 de Janeiro - 12.00 horas
RTP Internacional - Terça 22 de Janeiro - 21.30 horas
RTP N - Quarta 23 de Janeiro - 11.30 horas
RTP 2 - Sábado 26 de Janeiro - 19.00 horas

Cria a tua Constelação...!

Concurso “Descobre o teu céu”
Museus da Ciência desafiam alunos a criar constelações de estrelas
17.01.2008 - 17h18


Os alunos do ensino básico serão desafiados, ao longo deste ano, a criar constelações de estrelas, no âmbito do concurso “Descobre o teu céu”, promovido pelos museus da Ciência da Universidade de Coimbra e de Lisboa.

A iniciativa, que conta ainda com a Critical Software na promoção, insere-se no âmbito do programa de Celebração do Ano Internacional da Astronomia, assinalado em 2009.

Para “cultivar o gosto dos mais novos pela Astronomia”, a organização do concurso propõe “aos alunos de todas as escolas realizarem, a partir de quatro mapas, um desenho de novas constelações e uma narrativa”.

“A partir das estrelas de certas partes do céu que foram seleccionadas, inspirados na observação do céu real e/ou do céu de um planetário, ou simplesmente a partir de uma representação das estrelas numa imagem, pretende-se que os alunos construam novas constelações e desenvolvam histórias a elas associadas”, revela a organização.

As inscrições estão abertas até 30 de Novembro de 2008, e os trabalhos aceites até 21 de Dezembro de 2008.

O júri irá escolher os melhores trabalhos de cada escalão, que serão reunidos num livro a publicar em 2009. A obra será distribuída por todos os Agrupamentos de Escolas do país.

Os resultados do concurso, no qual podem participar equipas de cinco a 20 alunos e acompanhados por um professor, serão anunciados a 21 de Março de 2009.

O PÚBLICO.PT associa-se a esta iniciativa através da divulgação na sua página principal de um link para os regulamentos e página web do concurso, a ser disponibilizado nos momentos-chave do concurso: lançamento do concurso, apresentação dos resultados, divulgação da lista dos premiados.

in Público - ler notícia



NOTA: O regulamento do concurso e os mapas do céu a considerar pelos concorrentes encontram-se disponíveis em:
http://www.museudaciencia.pt/

Estrelas que Voam para os Céus

CONVITE


O livro 'Estrelas que Voam para os Céus' foi editado no dia 28 de Novembro de 2007, na Galeria Arte Livre, Avenida da Liberdade, em Lisboa. Rapidamente viu a sua primeira edição esgotada, impondo-se agora a segunda publicação desta obra por continuar a ser manifestamente solicitada em todo o país.

Venho por este meio convidar-vos para a apresentação da segunda edição desta obra, pelo seu autor, no próximo dia 26 de Janeiro, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira (Terreiro), na cidade de Leiria.


Título: Estrelas que Voam para os Céus (2ª edição)
Autor: Joaquim Santos
Local: Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria
Data: 26 de Janeiro de 2007
Hora: 16h00


“ESTRELAS QUE VOAM PARA O CÉUS”

TESTEMUNHOS DE QUEM PERDE UM FILHO

São mais de cem, as “estrelas” que dão o título ao livro. Cada uma deixou um vazio impossível de preencher, mas também uma marca no mundo, agora perpetuada em forma de livro. “Estrelas que Voam para os Céus” é um conjunto de testemunhos de pais que perderam os seus filhos. As histórias têm um final triste, mas também uma mensagem de esperança. O livro foi lançado no dia 28 de Novembro e pretende ser um apoio a pais e famílias que passaram por esta dramática situação. As receitas revertem a favor da associação A Nossa Âncora, a única que em Portugal dá apoio aos pais em luto.


A ideia de compilar em livro algumas das histórias, tão diferentes e tão semelhantes, que diariamente chegam à associação A Nossa Âncora, partiu do amor incondicional à minha filha, Eduarda de Sempre, um pulsar e a motivação para criar esta obra.

O desafio foi lançado aos associados de A Nossa Âncora e, no total, 114 testemunhos foram recebidos e integrados no livro que é agora lançado. “O facto de perceber que existem muitos pais que assistem à ordem anti-natura de verem os seus filhos tornarem-se “estrelas” foi o mote para reunir muitos testemunhos de vida que marcam pelas múltiplas experiências dolorosas”.

O livro “conduz o leitor a “mergulhar” numa realidade inalterável”. No entanto, “pela multiplicidade de situações que ali encontramos, qualquer cidadão que o leia ficará mais preparado para a vida”, reforçando ainda a importância que uma obra deste género assume junto dos pais que “fazem tudo para continuarem a existência dos seus filhos, homenageando-os”.

Para além dos testemunhos de famílias que perderam os seus filhos, “Estrelas que Voam para os Céus” integra ainda algumas reflexões que procuram dar resposta à pergunta feita por muitos pais em luto: “porquê eu?”.

Reflexões que demonstram a visão da Psicologia e, por outro lado, as explicações à luz da teologia no que respeita à partida precoce dos filhos. Uma perspectiva abrangente que, de resto, retrata um pouco o que se faz diariamente na associação A Nossa Âncora, a única em Portugal a dar apoio a pais em luto.

Impossível Avaliação!

Com a devida vénia publicamos o seguinte post do Blog terrear:

Já receava (embora não o desejasse)! A Avaliação de Professores é impossível à luz do Decreto Regulamentar hoje publicado.

Com efeito, no capítulo dos prazos, o artigo 34º diz que as escolas (agrupamentos) têm 20 dias úteis - isto é, até 7 de Fevereiro - para elaborar e aprovar (em Conselho Pedagógico) os instrumentos de registo de avaliação, tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Ora, o CCAP não está constítuido e está muito longe de poder estudar, aprovar e formular estas recomendações que permitam o trabalho prescrito para o Conselho Pedagógico.

Segundo, também até 7 de Fevereiro, o CP tem de elaborar e aprovar os indicadores de medida que permitam verificar até que ponto e de que modo os avaliados atingem os objectivos a que se propõem. Ora, provavelmente em muitos casos, isto será manifestamente impossível.

Terceiro: até 21 de Fevereiro cada professor terá de elaborar os objectivos da sua acção individual e estes devem ser acordados com os avaliadores (coordenador de departamento e presidente do conselho executivo). O enunciado pressupõe que o Projecto Educativo de Escola esteja em condições de ser uma referência concreta e objectiva para a acção (na maioria dos casos estima-se que o não seja - o que obriga a um demorado trabalho de pensar, negociar, acordar, comprometer...- ). Por outro lado, acordar significa negociar, chegar a acordo. Em muitos casos, é materialmente impossível.

Quarto: ainda neste ano lectivo os coordenadores de departamento e o presidente do CE têm de programar (com a obrigatória implicação de cada porfessor) a observação de duas aulas. Para observar as aulas têm de estar aprovados pelo CP os instrumentos de observação de aulas, que por sua vez devem obedecer ás orientações do CCAP. E aqui, há três problemas: muitos coordenadores (talvez a larga maioria) não têm condições objectivas para negociar, preparar, observar e relatar as duas aulas observadas. Não têm tempo, não há tempo. Depois, não têm os ditos instrumentos. E finalmente, a imperativa delegação de competências para a observação de aulas só se pode fazer após despacho ministerial. Isto é: esta planificação nunca se poderá concretizar, na melhor das hipóteses, antes do 3º período.

Resultado: a melhoria dos resultados dos alunos vai passar para segundo plano. O objectivo central passa a acessório e secundário. Todo o tempo vai ser usado a fazer de conta que se faz.

A não ser que prevaleça a posição sensata: as escolas demonstrarem que as normas decretadas são impossíveis de aplicar nos prazos estabelecidos. E usarem este tempo para prepararem uma avaliação séria e credível e que esteja de facto ao serviço de melhores resultados dos alunos e do desenvolvimento profissional.

Sensibilidade e Bom Senso em Gueifães

Do Blog A Educação do meu Umbigo publicamos o seguinte post:

A Comissão Provisória e o Conselho Pedagógico do Agrupamento Vertical de Escolas de Gueifães merecem todo o nosso aplauso (eis a tomada de posição comum no documento seguinte:

Agora resta que outros se alevantem e tenham a mesma coragem.


Posted by Paulo Guinote under Coerências, Coisas Boas, Coragem

21 janeiro, 2008

Avaliação dos Professores

Para lerem com atenção e meditarem, aqui fica ele:

decreto-regulamentar-2-2008.pdf

Conferência em Lisboa

Físicos, o Grand Canyon e a idade da Terra


por Fernando Barriga (GeoFCUL, CREMINER)


24 de Janeiro às 15.30 horas
na
Sala 6.2.56 do Edifício C6
na
Faculdade de Ciências - Universidade de Lisboa

Encontro Verde - Quinta Cabeça do Mato (Tábua)

A partir do Blog Quinta Cabeço do Mato encontrámos o seguinte encontro ambiental e que divulgamos:

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ENCONTRO VERDE
2008

ONDE: Na Quinta Cabeça do Mato, uma quinta biológica de 10 ha, auto-suficiente no que diz respeito a recursos energéticos, a praticar os princípios da permacultura, seguindo o calendário biodinâmico.
Tem uma fonte natural, uma pequena ribeira a percorrer o terreno, bio-piscina, eco-casa, yurts, espaço na natureza para acampar com: duches solares/caldeira, espaço de cozinha coberto e várias retretes secas (de compostagem).

QUANDO: Em Março de 2008, quinta-feira 20, Equinócio, sexta-feira 21, Lua Cheia, sábado 22, Dia Mundial da Água, domingo 23, Páscoa.

PRINCÍPIOS: Viver em harmonia com a terra-mãe.

Evento sem fins lucrativos.

OBJECTIVOS: Trazer um conhecimento mais profundo de assuntos ecológicos e partilhar experiências para o beneficio de todos envolvidos, obtendo sabedoria para uma vida mais saudável para a biosfera.

MAPA

mapa_cabeca_do_mato_2.jpg

Ver tambem MapaGoogle desde Tábua para Casa da Ribeira (ao lado da Quinta Cabeça do Mato).

Mais informações em: http://encontroverde.wordpress.com/

20 janeiro, 2008

O planeta vermelho está a ficar cada vez mais longe...

Olá amantes dos céus nocturnos.

Hoje deixo-vos com a foto fresquinha que acabei de fazer a Marte, enquanto nos afastamos velozmente da sua posição orbital, face à velocidade maior do nosso planeta enquanto órbita o Sol.

Espero que gostem tanto como o gozo que me deu fazê-la.

20 Jan 08 às 20h01mUT
Leiria, Portugal

Abraço :D
JC

(Nova) Lua quase cheia


Esta é primeira foto da Lua com um novo CCD, a DMK21AF04.AS!

Foi apontada à cratera Moretus, cujo cone central apresenta uma silhueta bastante curiosa.

19/1/08 às 19 horas e picos... com o meu C11.
JC

18 janeiro, 2008

Curso de Introdução à Astronomia e Utilização de Telescópios


Esta acção de formação destina-se a utilizadores de telescópios com pouca experiência prática de observação ou amadores que queiram saber mais sobre o Universo que nos rodeia. Com uma duração total de 40 horas e inclui aulas teóricas, técnicas, workshops e sessões práticas de observação.

No final da formação o formando deverá ser capaz de adquirir, manusear e manter um pequeno telescópio e organizar sessões de observação do Sol e do céu nocturno. A componente teórica dará ao participante uma visão geral da Astronomia Moderna e permitirá estabelecer o caminho para aprofundar tópicos específicos.


O curso terá início na segunda semana de Fevereiro, as sessões de formação serão ministradas no Centro de Interpretação Ambiental da Ponta do Sal, em São Pedro do Estoril – Cascais e o número de vagas é limitado a 20 participantes, tendo um custo total de 100€ por participante, estando incluído todo o material utilizado nos workshops e documentação impressa de suporte às aulas. Serão disponibilizados telescópios e outros equipamentos e acessórios de observação em número suficiente para satisfazer as necessidades das aulas práticas.

Para toda a informação consulte
Curso de Introdução à Astronomia (243Kb, formato PDF)


Inscrições através do e-mail geral@nuclio.pt
ou pelo telemóvel 960 356 909

14 janeiro, 2008

Petição: Modelo de Gestão das Escolas Públicas

Na sequência de posts anteriores, em que publicámos posts do Blog A Educação do meu Umbigo, de Paulo Guinote, damos novamente o nosso contributo para a discussão publica da proposta de alteração do modelo de Gestão das Escolas Públicas que o ME tenta agora impor-nos. Assim o Paulo colocou uma petição on-line que diz o seguinte:

APELO PARA UMA DISCUSSÃO PÚBLICA ALARGADA DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS

A SOCIEDADE PORTUGUESA E AS NOVAS GERAÇÕES MERECEM UMA ESCOLA PÚBLICA MELHOR.

Está em período de debate público apenas por um mês o Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário.

Não apenas como profissionais da Educação, independentemente de qualquer filiação organizacional, mas também como cidadãos e encarregados de educação atentos, queremos manifestar o nosso desejo de um debate digno e alargado sobre um assunto tão importante como este que não pode ficar circunscrito a gabinetes ou a algumas reuniões longe do escrutínio público de todos os interessados.

Fazemos este apelo porque temos consciência de que estas mudanças terão repercussões profundas na qualidade do ensino ministrado nos estabelecimentos do ensino público e que nem todas essas repercussões se encontram devidamente avaliadas neste momento.

Para além disso, este projecto de alteração do regime jurídico ainda em vigor não se apresenta como resultante de uma necessidade pública, claramente sentida e demonstrada na e pela sociedade civil e comunidades educativas, de reformar o modelo em vigor. Pelo contrário, surge na sequência de uma profusão legislativa que se tem norteado por alguma incoerência entre as intenções manifestadas e as condições concretas existentes no nosso sistema educativo, o que desde logo nos suscita as maiores reservas quanto à sua validade.

Não esqueçamos que:
  • No sistema educativo português os alunos têm sido alvo de reformas sobrepostas, mal preparadas e pior implementadas.
  • Tais reformas sucedem-se sem serem devidamente avaliados os resultados das reformas anteriores,
  • A não avaliação aprofundada de todas as medidas e do seu efeito no sistema leva a que os actores institucionais e a cidadania se interroguem sobre as razões destes sucessivos fracassos.
  • Apesar de todas essas reformas, os índices de literacia (global ou funcional) continuam dos mais baixos, enquanto que as taxas de insucesso e de abandono escolar são das mais altas, não apenas em termos europeus, como até mundiais.
  • Com um novo modelo de gestão, insuficientemente fundamentado e imposto em nome de uma desejável autonomia e abertura da gestão dos estabelecimentos de ensino às comunidades, corre-se o risco de um agudizar das disfunções que o sistema vem demonstrando, com consequências imprevisíveis não só em termos pedagógicos como da coerência, integridade e solidariedade do sistema público de ensino.

Perante este panorama, que aconselha a maior prudência em novas alterações na arquitectura do sistema público de ensino e perante as incoerências internas do projecto do Ministério da Educação em termos operacionais e a sua aparente inadequação quanto ao quadro legislativo em que se insere, nomeadamente quanto à Lei de Bases do Sistema Educativo, os signatários deste manifesto, reivindicam, por isso, ao Governo e ao Ministério da Educação que:
a) Exista um prazo suplementar de dois meses para discussão da proposta governativa;
b) Se promovam debates públicos em todas as escolas do país, mobilizando as comunidades educativas para a discussão das qualidades e óbices do novo modelo proposto;
c) Se faça a divulgação de todas as análises dos dados estatísticos e outros estudos de departamentos do Ministério da Educação, com especial relevo para a Inspecção Escolar relativos ao desempenho das Escolas em matéria de gestão que justificam a necessidade de mudança do modelo existente.
Apelamos ainda a que todos os intervenientes das comunidades educativas (alunos, encarregados de educação, docentes, funcionários não docentes, autarquias) se mobilizem para uma discussão alargada da Escola Pública.

Só com o activo envolvimento de todos na preparação de reformas com esta dimensão e impacto numa área crítica como a Educação é possível garantir que a mudança se transformará em algo positivo e não meramente instrumental.

Os órgãos de gestão das escolas e os Centros de Formação estarão, naturalmente, vocacionados para organizar e dinamizar este debate.
Os autores deste manifesto reiteram que não representam quaisquer organizações socio-profissionais de professores ou profissionais de educação actualmente existentes ou em processo de formação, sejam elas de natureza sindical, profissional, científico-profissional ou outra. Desejam afirmar, porém, que as organizações acima referidas são organizações da sociedade civil com legitimidade própria para se pronunciarem sobre as questões respeitantes ao sistema de ensino e à governação das escolas;

Deste modo, num contexto em que o poder político afirma a necessidade de envolver a sociedade civil na governação das escolas, a eventual limitação da intervenção no debate destas organizações e/ou movimentos independentes constituídos especificamente para este efeito, comprometerá gravemente a legitimidade dessa governação e das políticas que a determinam, gerando inevitavelmente fenómenos de inércia na sua aplicação, em grande parte resultantes da forma como a informação e o debate (não) se realizaram.

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Eu já assinei a petição e apelo aos nossos leitores para fazerem a divulgação desta juntos dos Docentes de todo o país - há que lutar contra tudo o que nos querem impor e contra esta gente que não percebe nada de Educação e de Ensino...

08 janeiro, 2008

Formação em Astronomia PT-HOU - 5ª Acção


A 5ª sessão de Formação de Professores decorrerá nos dias 12 e 13 de Janeiro de 2008, no Instituto Geográfico do Exército, em Lisboa. O programa incidirá especialmente na utilização do software SalsaJ para análise e composição de imagens astronómicas, na utilização de telescópios operados remotamente a partir da sala de aula e nos recursos do EU-HOU disponíveis. Serão apresentados projectos científicos que podem ser realizados pelas escolas: estudo de supernovas, descoberta de asteróides, descoberta de enxames jovens, estudo de galáxias activas, entre outros.

Para se inscrever, basta enviar um e-mail indicando o seu nome, escola e disciplinas que lecciona para euhoupt@euhou.net.

Esta acção tem o apoio do British Council, no âmbito do projecto NUCLIO/British Council/Faulkes Telescope.

PROGRAMA

Sábado, 12 de Janeiro de 2008

09.45 – 10.00: Recepção e apresentação dos participantes;
10.00 – 10.15: Apresentação do projecto Hands-On Universe: EU-HOU e G-HOU
10.15 – 11.30: Software de manuseamento de imagens astronómicas SalsaJ;
11.30 – 11.45: Intervalo para café;
11.45 – 13.15: Telescópios ópticos operados remotamente: planeamento e observação;
13.15 – 14.45: Intervalo para almoço;
14.45 – 16.15: Exercício “Distâncias no Universo” (Cefeidas);
16.15 – 16.30: Intervalo para café;
16.30 – 18.0:0 Exercício “A vida das estrelas e os seus espectros” (SpectraJ).

Domingo, 13 de Janeiro de 2008
10.00 – 11.30: Exercício “A massa de uma galáxia”;
11.30 – 11.45: Intervalo para café;
11.45 – 13.15: Exercício “Detecção de planetas extra-solares”;
13.15 – 14.45: Intervalo para almoço;
14.45 – 16.15: Exercício “Os braços espirais da nossa galáxia”;
16.15 – 16.30: Intervalo para café;
16.30 – 17.30: Projectos: supernovas e descoberta de asteróides
17.30 – 18.00: Propostas de projectos de investigação científica nas Escolas;
18.00 – 18.15: Encerramento.

Mais informações AQUI.

NOTA: Está prevista a realização de uma Acção similar a esta em Leiria em 16 e 17 de Fevereiro de 2008...

07 janeiro, 2008

III CONGRESSO “Cientistas em Acção”


Dada a importância que na nossa sociedade as ciências e a tecnologia atingiram, torna-se fundamental que os cidadãos criem e desenvolvam atitudes e competências no campo das ciências experimentais, já que é neste contexto que se manuseia material, se aprendem técnicas e se verifica como os processos naturais se desenrolam. As actividades práticas tendem, actualmente, a ocupar um lugar de destaque, insubstituível, reclamando um espaço próprio nos currículos de ciências, sendo a sua utilização vista como uma estratégia importante de ensino-aprendizagem. Assim, surgiu no ano lectivo 2005/2006 a 1.ª edição do CONCURSO "CIENTISTAS EM ACÇÃO", destinado a todas as escolas do ensino básico e secundário, (oficial e particular). Dando continuidade ao elevado empenho demonstrado pelos participantes, na edição anterior, o qual se reflectiu na qualidade dos projectos apresentados, teve lugar a 2.ª Edição no ano lectivo 2006/07. Dada a qualidade dos projectos apresentados nas primeiras edições, a partir da edição deste ano este evento terá a designação de CONGRESSO “Cientistas em Acção”.

O que é?
O Congresso “Cientistas em Acção“ é promovido pelo Centro Ciência Viva de Estremoz, com o intuito de desenvolver o contacto e a partilha de ideias entre os estudantes do ensino básico e do ensino secundário, no âmbito da cultura científica e tecnológica. Pretende-se, com este encontro, atrair jovens para a Ciência e a Tecnologia tanto nas vertentes de investigação como de desenvolvimento. Este Congresso tem âmbito nacional e pretende também promover o espírito científico dos jovens através da realização e desenvolvimento de pequenos projectos científicos em que o ensino experimental das ciências constitui uma prioridade.

Quem pode participar?
Podem participar neste congresso alunos de todas as escolas (públicas e privadas) do 1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Secundário. Podem participar individualmente ou em grupo (até quatro elementos).

O que fazer?
Os projectos a elaborar devem estar sempre relacionados com a temática geral do funcionamento do nosso Planeta. No entanto, queremos salientar que ao termos optado pela Terra como tema central, de modo nenhum estamos a restringir os projectos à disciplina de Geologia. Com efeito, o funcionamento do nosso planeta só pode ser compreendido pela conjugação de várias ciências como a Física (e.g. a acção das forças), a Química (e.g. a importância de alguma reacção química), a Informática (e.g. forma de modelar os fenómenos geológicos) ou a Biologia (pois a evolução dos seres vivos não se fez à revelia da evolução do próprio planeta). Os projectos devem ser acompanhados de um resumo escrito, com um máximo de 2 páginas, contendo os aspectos mais relevantes do projecto (finalidade, materiais e métodos, observações e conclusões) e enviados em formato digital (cd-rom ou e-mail) e ser remetidos até dia 14 de Março de 2008. Na fase final do Congresso, terá lugar um encontro onde todos os projectos serão apresentados, sob a forma de actividade experimental, painel ou maqueta, acompanhados de breve exposição oral (aproximadamente 15 minutos).

Quando decorre o encontro?
O Encontro decorre no Centro Ciência Viva de Estremoz, Espaço Ciência - Convento das Maltezas, Estremoz, nos dias 10, 11 e 12 de Abril de 2008.

Prémios *
Serão premiados os melhores trabalhos por 3 níveis de ensino:
- Prémio Galopim de Carvalho, (1.º e 2.º Ciclo do Ensino Básico);
- Prémio Dolomieu, (3.º Ciclo do Ensino Básico)
- Prémio António Ribeiro, (Ensino Secundário)
* A lista de prémios a atribuir será divulgada oportunamente.

Critérios de Avaliação
A avaliação dos trabalhos terá em conta os seguintes critérios:
- Conteúdo Científico
- Originalidade
- Apresentação

Contacto:
CENTRO CIÊNCIA VIVA DE ESTREMOZ
ESPAÇO CIÊNCIA - Convento das Maltezas, Estremoz
7100-513 Estremoz
Tel/Fax: 268 334 285
Email: ccvestremoz@uevora.pt

Apoios:
Universidade de Évora
LIRIO–Laboratório de Investigação de Rochas Industriais e Ornamentais
CGE–Centro de Geofísica de Évora

Download do folheto

05 janeiro, 2008

Quantos mais têm de morrer?

Professores lamentam morte de docente
2008/01/05 | 00:37
Sofria de cancro do pulmão e não viu reduzida a componente lectiva

A Associação Sindical de Professores Pró-Ordem lamentou sexta-feira que uma docente que sofria de cancro do pulmão tenha morrido sem que lhe fosse reduzida a componente lectiva e apelou ao Ministério da Educação que altere a legislação em causa, refere a Lusa.

Este caso vem reacender a polémica que levantou no Verão passado a morte de uma professora de Aveiro com leucemia e de um docente de Braga com cancro na traqueia, que trabalharam nas respectivas escolas praticamente até à data da morte, depois de lhes serem negados por juntas médicas os respectivos pedidos de aposentação.

Maria Cândida Ferreira Pereira, professora de Educação Visual e Tecnológica na Escola Básica 2/3 Ana de Castro Osório, em Mangualde, morreu quinta-feira à tarde, vítima de cancro do pulmão.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Pró-Ordem, Filipe Correia do Paulo, criticou a legislação actual, que considera «uma violência» e uma «desumanidade» para com os professores que sofrem de doenças graves.

«Com a legislação anterior, mediante requerimento e prova médica, por questões de humanidade, o Ministério autorizava a redução total ou parcial da componente lectiva», explicou.

Desta forma, os professores poderiam ficar com «tarefas mais leves» do que ter uma turma à sua responsabilidade, como estar numa biblioteca.

«Com as alterações introduzidas pela nova legislação dos professores, nem vale a pena fazer o pedido, porque não está prevista a redução da componente lectiva», acrescentou.

Contava com a «solidariedade dos colegas»

Também o presidente do conselho executivo da Escola Básica 2/3 Ana de Castro Osório, João Carlos Alves, disse à Lusa discordar desta legislação, considerando que «a lei quando é feita num Estado de direito e democrático, tem que estar ao lado das pessoas que o dignificam».

Como a escola é obrigada a seguir a lei, restava apenas «a solidariedade dos colegas», que nas reuniões procuravam aligeirar as tarefas de Maria Cândida, referiu.

João Carlos Alves disse que Maria Cândida «era uma pessoa com uma grande força de vontade», que esteve na escola pela última vez na altura das reuniões das avaliações de Natal.

Segundo o responsável, a professora pertencia a Midões (Coimbra), mas estava destacada em Mangualde pelo terceiro ano, «porque tinha pedido aproximação à residência por motivos de saúde».

O funeral está marcado para as 10:30 de sábado, na igreja de Santa Cruz, em Gouveia. Maria Cândida, nascida a 01 de Agosto de 1960, deixa duas filhas menores, de 12 e 14 anos.

in Portugal Diário - ler notícia

02 janeiro, 2008

O Novo Modelo de Gestão das Escolas: Algumas Notas Prévias à Discussão

Publicamos novo post de Paulo Guinote, na sequência dos anteriores do Blog A Educação do meu Umbigo:

Antes de tentar fazer uma análise do projecto de decreto-lei apresentado pelo ME para a gestão das escolas e estabelecimentos de ensino públicos, gostaria de fazer algumas considerações prévias, que acho essenciais para esclarecer eventuais (pre)conceitos, assim como para justificar porque esse debate é importante. E já agora porque acho eu que tenho algo para dizer, pois não sou um especialista instantâneo em toda e qualquer matéria educativa.

Vamos lá:

  • Porque interessa este debate? Interessa porque pretende mudar o regime de administração da rede de ensino público não-superior, menos de uma década depois da última reforma (durante o Ministério de Marçal Grilo), sem que se perceba exactamente os critérios que justificam tal mudança. São critérios fundamentalmente administrativo-financeiros? São critérios de natureza pedagógica? É uma mudança conceptual em todo o modelo? Interessa perceber porque acontece esta mudança, que objectivos persegue, que fundamentação têm as soluções apresentadas e, já agora, se não existiriam outras soluções mais adequadas à resolução dos bloqueios eventualmente detectados no actual modelo.
  • A quem interessa este debate? Interessa verdadeiramente a todos, em especial a todos os actores sociais que se cruzam na Escola Pública e que são chamados a intervir nela por força destas propostas (embora em boa verdade já o fossem anteriormente, embora alguns não tenham comparecido da forma desejável). Interessaria ao próprio ME ter suscitado a discussão a partir de um documento aberto e não de um articulado onde se adivinha a possibilidade de acertos meramente pontuais. Interessa às famílias, que se pretende que venham a ter uma quota-parte de responsabilização maior na gestão das escolas. O mesmo se aplica para as autarquias locais, que no caso do 1º CEB nem sempre têm feito o melhor que poderiam. Interessa aos professores e funcionários porque - até mais do que os alunos - são eles que passam lá a maior parte da sua vida e lá fazem a sua carreira profissional. Porque quando dizemos que não haveria Escola sem alunos, se esquece que, sendo isso verdade, são os professores que lá permanecem mais tempo.
  • Como se deveria realizar idealmente este debate? Deveria ser feito com tempo para uma verdadeira discussão pública, assim como deveria ser dinamizado pelo próprio ME directamente ou através dos seus organismos regionais ou mesmo a partir do Conselho das Escolhas ou do Conselho Nacional da Educação, entidades que - de acordo com o seu próprio estatuto - deveriam ser consultadas antes da produção de projecto legislativo e não apenas a posteriori. Por estranho que pareça, e isso seria possível sensibilizando e mobilizando os Centros de Formação de Professores, seria utilíssimo ter estabelecido um calendário para a discussão local e regional do tema durante este mês de Janeiro e, a partir daí, congregar os contributos recolhidos de Associações de Pais, Autarquias e Professores. Não é negar completamente a representatividade a entidades como os Sindicatos, a Confap ou a ANMP, mas a verdade é que neste momento aqueles que essas organizações representam estão completamente a leste do que se passa e só estão informados a partir dos seus próprios meios. O que só foi reforçado pelo lançamento da discussão pública no dia 26 de Dezembro passado.
  • Porque razão no universo acho eu que tenho algo a dizer sobre o assunto? Pela mesma razão que qualquer outro professor, encarregado de educação, autarca ou cidadão comum interessado na vida pública - neste caso educativa - do país. Não acho que a minha opinião tenha um especial valor acrescido em relação à generalidade dos meus colegas, pois nunca exerci (nem espero exercer) qualquer cargo na área da administração ou gestão escolar. Não tenho especial conhecimento prático dessas matérias para além da observação, durante cerca de duas décadas, do funcionamento de uma dezena de escolas públicas. Em termos teóricos, posso ter algum crédito adicional porque, por circunstâncias variadas, acabei por ler alguma bibliografia sobre gestão, quer em termos de comparação de modelos de gestão nos sectores público e privado (ajudei uma pessoa da família nas leituras teóricas para uma tese na área da Gestão, tendo traduzido uns 20 artigos sobre o assunto e lido uma mão-cheia de obras de referência sobre o tema. Para além disso, e por razões relacionadas com o meu próprio doutoramento - mesmo se não se nota muito no produto final, porque foram umas dezenas de páginas que se sacrificaram para não causar uma apoplexia ao orientador e júri - li bastante bibliografia sobre estilos de school management numa perspectiva comparativa e mais especificamente sobre a gestão escolar cada vez estar mais feminizada, o que tem implicações teóricas e práticas interessantes. Pelo que, pelo menos no plano das ideias e modelos, estou suficientemente informado.

Tendo em atenção estes esclarecimentos, penso que é possível agarrar nisto e analisar-lhe as premissas, identificar as eventuais vantagens e enumerar os aspectos que me merecem discordância, tanto em termos de modelo abstracto como de concretização prática no nosso contexto.

Professores

Recebi por e-mail, de vários amigos, o texto/poesia seguinte, de autor que desconheço e que a seguir publico:


Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Querem que eu dê aulas!?...

Ministério da Educação resolve mais um grave problema das Escolas portuguesas!

Educação: Igreja não gosta das novas orientações
Escolas sem nomes santos

Na nova nomenclatura das escolas portuguesas desaparecem as referências religiosas, por determinação do Ministério
Na nova nomenclatura das escolas portuguesas desaparecem as referências religiosas, por determinação do Ministério

As escolas Básicas e Secundárias vão deixar de ter santos ou santas na denominação oficial. A indicação partiu do Ministério da Educação, no âmbito da aplicação do Decreto de Lei n.º 299/2007, da Lei de Bases do Sistema Educativo.


O Decreto, de 22 de Agosto, define as normas aplicáveis à denominação dos estabelecimentos de educação ou de ensino públicos não superiores, acabando com as tradicionais EB 1 ou EB 2,3 e passando a existir apenas escolas Básicas e Secundárias.

Quanto ao nome, o decreto diz que “deve criar-se designações com que as comunidades educativas se identifiquem e que sejam facilitadoras da elaboração de cartas educativas, tratamento estatístico e da aplicação das novas tecnologias”.

Fala também o decreto da faculdade de a escola poder incluir o nome de um patrono, que deve ser “uma personalidade de reconhecido valor, que se tenha distinguido na região no âmbito da cultura, da ciência ou educação, podendo ainda ser alusivas à memória da expansão portuguesa, à antiga toponímia ou a características geográficas ou históricas do local onde se situam os estabelecimentos de ensino”.

Assim, para redenominar as escolas públicas o Ministério entendeu encarregar da escolha as assembleias de escola, dando entretanto a indicação aos órgãos directivos de que devem ser evitadas alusões religiosas, como nomes de santos ou santas. Esta ordem gerou alguma polémica em agrupamentos do distrito de Braga, com várias pessoas a recusarem o riscar do nome da terra.

Ora esta situação vem causar grandes dificuldades, nomeadamente ao nível das antigas escolas primárias, agora escolas Básicas, cujo nome era, por norma, o mesmo da freguesia.

Tendo em conta o caso de Lisboa, por exemplo, em que 31 das 53 freguesias têm nomes católicos – como Santa Justa, Santa Engrácia, S. Francisco Xavier ou Nossa Senhora de Fátima – prevê-se que a tarefa não seja nada fácil.

Refira-se que mais de trinta por cento das freguesias portuguesas tem nome de santos ou santas.

ESCOLAS RETIRARAM CRUCIFIXOS

O Ministério da Educação enviou em Novembro de 2005 ofícios às escolas onde existiam crucifixos nas salas de aula, ordenando a remoção desses símbolos religiosos, no âmbito de uma operação iniciada em Maio que surge na sequência de uma exposição da Associação Cívica República e Laicidade. O Governo defendeu a medida alegando que esta é uma decisão assumida com o “respeito pela diferença”. Em Junho último, a mesma associação solicitou também ao Ministério da Saúde a adopção de igual medida nos hospitais públicos. A Igreja Católica contestou a posição da associação. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e então porta-voz da Conferência Episcopal, lamentou que haja “instituições tão antiquadas”. “É preciso perceber que a sociedade portuguesa não é laica”, disse.

"ESTÁ EM CAUSA A NOSSA CULTURA"

Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) trata-se de “mais um passo numa escalada laicista sem sentido, que já se iniciou há uns tempos”. “A ser verdade essa intenção, estamos perante um caso de inaceitável fundamentalismo”, disse D. Jorge Ortiga, considerando que “está em causa a nossa cultura”. Referindo que não gosta de comentar as situações sem estar devidamente fundamentado, o arcebispo de Braga lamentou, no entanto, que “todos os dias se assista a esta tentativa de cavalgada laicista, contra os valores mais profundos da maioria da população”.

Questionado sobre a eventual retirada de todas as figuras religiosas da heráldica nacional, nomeadamente das bandeiras de municípios e freguesias, D. Jorge Ortiga disse não querer acreditar que tal possa acontecer. “Espero que tudo isto não passe do mundo das intenções e que, na hora da verdade, o bom senso prevaleça”, disse.

SAIBA MAIS

7272 escolas de ensino Primário existentes em Janeiro de 2007. Destas, 3064 tinham menos de vinte alunos. Escolas dos 2.º e 3.º ciclos e Secundário eram na mesma data 1229.

24 freguesias de Lisboa possuem nomes de santos como Santiago ou Santa Maria de Belém. Sete outras, como Anjos, possuem nomes ligados ao Cristianismo.

PROCISSÕES

É prática nas festas concelhias os autarcas (representantes do Estado laico) integrarem a procissão do santo padroeiro, atrás do pálio.

FERIADOS

Dos 15 feriados celebrados, oito são religiosos. Sete são de expressão nacional. Nos Santos Populares cada concelho celebra um de três santos.

FORÇAS ARMADAS

Equiparado a general de duas estrelas, a estrutura militar tem a figura do Vigário Castrense, bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança.

in Correio da Manhã - ver notícia

01 janeiro, 2008

Só para recordar 2007



E, como diria o sargento Scolari, "... e o burro sou eu...!"

O Novo Modelo de Gestão das Escolas: O Debate Necessário

Publicamos novo post de Paulo Guinote, do importante Blog A Educação do meu Umbigo - a luta continua! Podemos ser (mais uma vez...) espezinhados pelo Ministério da Educação, mas lutaremos por um modelo de Escola democrática tal como hoje (ainda) existe...!


Já que não se percebe como a tutela pensa envolver todos os interessados na discussão do novo modelo de gestão escolar, para além do espaço reservado no site do ME para quem quiser deixar o seu contributo, parece sentir-se a necessidade em muitos de nós de conhecer melhor o novo modelo proposto para a gestão das escolas públicas, assim como de debater a solução apresentada.

Se com os contributos que foram deixados para o Debate Nacional sobre a Educação foi o que se viu (tudo na gaveta), com todo o aparato formal que teve, já sabemos que neste caso a “consulta pública” não passará de uma formalidade com um sentido: o ME apresenta a sua proposta, os parceiros e o vulgo lêem-na e está tudo resolvido. Acertam-se umas vírgulas, emendam-se as incongruências mais disparatadas e o projecto faz-se lei com todas as suas insuficiências, equívocos e contradições com outros diplomas legais em vigor.

Pelo menos com o RAAG houve algum cuidado em, gostássemos ou não do projecto, tentar explicá-lo às pessoas, com sessões abertas ao público interessado e mesmo com debates sobre o tema. Podiam não ser as melhores iniciativas - assisti a uma perfeitamente caricata com um técnico superior do ME, apoiado num powerpoint, que não aceitava interrupções na sua exposição e escrutinava as questões a que não respondia - mas era alguma coisa.

Agora adivinha-se pouco mais do que nada: um destes dias alguém do ME reúne-se com os “parceiros” e dessa reunião sairão sindicatos zangados, Confap feliz e a ANMP a pedir mais dinheiro. Consta que o Conselho de Escolas emitirá um parecer, mas desconhecem-se os trâmites para a sua elaboração.

Por isso mesmo é necessário que algo mais se faça, em tão curto espaço de tempo. E nesse sentido a Isabel Guerreiro enviou-me no passado domingo o mail que passo a transcrever na íntegra (e a que já aludira em post anterior):

Olá Paulo

Não me conheces mas como tu sou professora e descobri há pouco tempo o teu blogue, onde me revejo (como muitos outros colegas aliás) nas tuas tomadas de posição perante o descalabro que tem sido a actuação deste governo no campo da educação.

Ao mesmo tempo constato, com desânimo, que muitas das vozes de protesto que se ouviam/liam se remeteram ao silêncio (de mim falo) ou andam por aí espalhadas pelos vários umbigos da blogosfera.

Esta notícia do Público (ver anexo) não é uma surpresa e faz antever a machadada final que se preconiza para a escola pública, republicana e laica.

Penso que, se não fizermos alguma coisa agora, será muito difícil reavê-la mais tarde.

Sabemos como é a nossa “classe” e os nossos “sindicatos” mas ninguém me convence de que esperarmos de braços cruzados é a única alternativa.

Por que não esquecermos as divergências pontuais de alguns professores e pedagogos mais lúcidos e activos da nossa (pobre) praça (estou a pensar em Santana Castilho, Mithá Ribeiro, Amélia Pais e outros tantos que certamente conhecemos) e nos reunimos para tomar uma posição firme e clara perante tudo isto?

O projecto de lei vai estar em debate público durante o mês de Janeiro, não há tempo a perder.

Um dos pontos de partida poderia ser um abaixo-assinado on line que permitisse também agregar o maior número de pessoas em torno desta questão central para a democracia, de modo que, mesmo o governo leve avante o seu projecto, se possa constituir um grupo mais ou menos organizado de resistentes.

A escola pública tem de ser uma questão transversal de cidadania acima de lógicas “politiqueiras” mesquinhas!

Uma vez que muitos colegas nossos frequentam o teu blogue, deixo-te este desafio: não queres tomar a iniciativa de promover um debate público aberto sobre esta questão (não faltarão espaços onde um evento desses possa ter lugar)?

Isabel Guerreiro
(professora de educação musical)

Como a ideia é boa, reencaminhei este mail para uma dúzia de colegas, autores de blogues e não só, no sentido de auscultar ideias e se procurarem propostas de acção concreta para as próximas semanas. O Fernando Martins divulgou a ideia no Geopedrados, o Miguel Pinto fez o mesmo, acrescentando a sua opinião no outrÒÓlhar, o José Matias Alves já vem abordando o assunto há alguns dias no Terrear, assim como já terão aparecido entretanto outras prosas em outros blogues, à medida que fui recebendo resposta aos mails e comentários aqui no Umbigo por parte de pessoas de que não tenho o contacto directo.

Neste momento, e para facilitar, eu sintetizaria algumas das opções em aberto, para serem concretizadas em rede ou isoladamente, a partir da ideia original. Nos próximos dias (até final da semana) irei tentar sistematizar prós e contras e avaliar da exequibilidade de cada uma.

  • Realização de um encontro de âmbito nacional sobre o tema, organizado a partir da blogosfera, mas com ancoragem em grupos locais/regionais de professores.
  • Realização de uma rede de encontros locais/regionais deste tipo, com um calendário adequado às possibilidades de cada grupo dinamizador, reunindo-se no final os diversos contributos.
  • Sensibilização dos órgãos de gestão das Escolas/Agrupamentos e Centros de Formação para a realização - em prazo útil - de iniciativas destinadas ao debate do tema.
  • Organização de um abaixo-assinado/petição online para que o debate em torno desta legislação seja mais alargado.
  • Produção de materiais sobre o tema para um suplemento especial do Correio da Educação a publicar na segunda/terceira semana de Janeiro, sob coordenação do J. Matias Alves.
  • Abordagem sistemática do diploma apresentado pelo ME, assim como do modelo de gestão da Escola Pública nos blogues.

Penso que, no essencial, são estas as ideias que até ao momento recolhem maior consenso, sendo evidente que quase todos os que se pronunciaram parecem concordar que, mesmo articulando esta iniciativa com organizações existentes, deveria ser algo que emanasse directamente dos professores e da sua vontade de participar na discussão do seu futuro, sem filtragens hierárquicas/organizativas, que possam desvirtuar a sua espontaneidade ou tornar mais fácil a sua catalogação por parte de quem gosta de ver o mundo apenas a preto/branco ou vermelho/verde.

Como iniciativa de Ano Novo a coisa é obviamente ambiciosa.

Pelo que me toca, e na medida das minhas possibilidades, a partir de amanhã penso começar uma série de textos sobre a proposta governamental de gestão escolar, da qual discordo em vários aspectos da sua fundamentação teórica, da sua dimensão prática e ainda da sua incongruência com diversa legislação existente,a começar pela LBSE. Esses textos serão sintetizados para uma crónica a inserir no Correio da Educação. Se estiver mesmo bem disposto colocarei os materiais produzidos aqui no blogue, incluindo este post, no espaço de propostas aberto pelo ME.

Na minha escola, onde tem sede um Centro de Formação, irei procurar saber o que se poderá realizar a nível local e, a partir daí, procurar perceber o que será possível alargar.

Claro que quem tiver essa possibilidade e principalmente os contactos certos, também deveria sensibilizar quem de direito nos órgãos de comunicação social de “referência”, escritos mas não só. Porque não conheço a agenda do Prós & Contras não sei se esta será uma temática a abordar proximamente.

Agora, é esperar de forma activa pelos próximos episódios.

Embora hoje seja terça-feira...


...nada melhor do que começar o ano novo (antes que o estraguemos e passe a ano velho...) com Poesia:

PERENIDADE

Se eu não fosse poeta,
O dia de hoje seria apenas
Segunda feira.
Igual a tantos outros,
De trabalho, de pressa e de canseira
E apagado nas horas.
Assim foi singular.
Ocioso,
Moroso
E repousado,
E teve
A duração num verso demorado.
Dez sílabas que agora
O amanhecem
E anoitecem
No meu ouvido,
Depois de acontecido.

in Diário XV, Miguel Torga, 06-01-1989