30 junho, 2008

Evento de Tunguska - 100 anos

tunguska_event.jpg


Há 100 anos, na remota região da Sibéria Central chamada de Tunguska ocorreu um fenómeno (conhecido por Evento de Tunguska) que ainda hoje causa dúvidas e celeuma (até porque há uns maluquinhos que gostam destas coisas e têm as mais disparatadas teorias sobre o assunto...).

Assim, às 07.15 horas locais "de 30 de Junho de 1908, houve uma gigantesca explosão após uma bola de fogo ser vista atravessando o céu. Não foram encontrados vestígios de meteorito, mas uma onda de impacto devastou toda a região do lago Baikal, afectando em menor grau todo o norte da Europa." (in Wikipédia)

A queda de meteoritos os comentas não é um fenómeno raro, é apenas mais um sinal de que o nosso Sistema Solar não é lugar calmo e pacífico que durante muito tempo se pensou. Se um simples pedaço de cometa que ricocheteou na atmosfera fez os estragos que fez (pese embora o facto de este fenómeno ter ocorrido numa remota região quase desabitada...) há que pensar o que aconteceria hoje se este fenómeno se passasse hoje numa grande metrópole. Se o presente é chave para entender o passado, às vezes o passado tem valiosas lições para o presente e futuro que convém que a nossa espécie não esqueça...

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29 junho, 2008

Nebulosa da Lagoa

Na constelação do Sagitário, na região do centro da nossa galáxia, existe um conjunto bastante interessante de objectos de céu profundo, como esta Nebulosa da Lagoa (M8).

Esta foto serviu para experimentar o uso de um filtro de banda larga, para tentar contrariar a elevadíssima poluição luminosa (leia-se elevadíssimo desperdício energético nocturno) que se verifica em Leiria...



(C) João Cruz/08

27 junho, 2008

Palestra sobre Astronomia em Lisboa

Observatório Astronómico de Lisboa

Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa



O Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) promove Palestras públicas mensais que têm lugar no Edifício Central, pelas 21h30 da última sexta-feira de cada mês. A próxima sessão decorrerá no dia 27 de Junho e terá como tema:

Viagens no espaço-tempo
Prof. Paulo Crawford
FCUL/OAL/CAAUL

Para Newton, existia um tempo absoluto, verdadeiro, matemático que fluía constantemente da mesma forma para todos os observadores. Os relógios de todas as espécies não passavam de meros reflexos, aproximações do tempo metafísico. Quando Einstein estabelece os seus dois princípios, para construir a sua nova teoria, hoje conhecida por Relatividade Restrita,surgem consequências dramáticas. Sendo a velocidade da luz no vácuo uma velocidade finita que estabelece o limite da velocidade de transmissão da informação, não mais é possível falar em acontecimentos distantes no espaço e simultâneos no tempo de uma forma absoluta. Por outras palavras, a simultaneidade de acontecimentos distantes é um fenómeno relativo, que depende do referencial onde esses acontecimentos são observados. Como consequência, o tempo perde o seu carácter absoluto e passa a ser entendido com sendo relativo. Diferentes observadores medem tempos diferentes. Isto abre a possibilidade de se fazer uma viagem no tempo, no sentido em que um dado observador poderá viajar, em certas condições, até ao futuro de outros observadores: um astronauta poderá em teoria fazer uma viagem de 20 anos e voltar à Terra para observá-la após100 anos da sua partida. A grande questão que se abre à discussão científica é a possibilidade de se fazer ou imaginar viagens ao passado, observar a Terra, por exemplo, antes dos nossos avós nascerem. Será isto ciência ou ficção?

VIDEODIFUSÃO DA PALESTRA PÚBLICA

É com enorme prazer que anunciamos que o OAL fará a transmissão da sua Palestra Mensal através da Internet.

No dia 27 de Junho a partir das 21h30 visite o seguinte endereço:
http://live.fccn.pt/oal/

A entrada na Tapada da Ajuda faz-se pelo portão da Calçada da Tapada, em frente ao Instituto Superior de Agronomia.

No final de cada palestra, e caso o estado do tempo o permita, fazem-se observações dos corpos celestes com telescópio. Convida-se o público a trazer os seus binóculos ou mesmo pequenos telescópios caso queiram realizar as suas próprias observações ou ser ajudados com o seu funcionamento.

Para mais informações use o telefone 213 616 730 ou consulte:
http://www.oal.ul.pt/palestras

24 junho, 2008

Astronomia para jovens nas Férias

OCUPAÇÃO CIENTÍFICA NAS FÉRIAS

Astrofísica Observacional no OAL

Tal como aconteceu no ano passado o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) proporciona aos alunos do ensino secundário a possibilidade de trabalharem durante três dias inteiros com os professores/investigadores, na obtenção e processamento de imagem digital, além de lhes facultar a aprendizagem dos conceitos fundamentais da astrofísica associados ao sol, estrelas, nebulosas e galáxias e ainda participarem do ambiente científico do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa, um centro com muita experiência em observação astronómica avançada.

Parte Prática: Desenvolver técnicas de observação da fotosfera, registo das manchas solares e coroa solar: protuberâncias e ejecções de massa coronal. Observação e realização de astrofotografia digital (com filtros BVRI) de enxames estelares, nebulosas e galáxias. Uso de software para processamento de imagem digital. Imagens em cor real.

Parte Teórica: Lições ligeiras de astrofísica do sol, da física das estrelas e das galáxias. Tópicos sobre óptica e o uso de telescópios, câmaras de CCD, parâmetros físicos observáveis e tratamento de imagem.

Estão previstos 3 estágios a decorrer nas seguintes datas:
  • 2 a 4 de Julho
  • 28 a 30 de Julho
  • 27 a 29 de Agosto

Mais informações e inscrições através do seguinte link da página do Ciência Viva: AQUI

15 junho, 2008

O meu dia de anos

Faço hoje 41 anos. Eu, que quase partilhei a data com Fernando Pessoa (e com o dia da morte de Santo António) queria deixar aqui um seu poema, retirado de um interessantíssimo site brasileiro:
http://www.pessoa.art.br/


Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar pela vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado –,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…


Álvaro de Campos - Poemas

10 junho, 2008

Torga e Camões III


Macau, 10 de Junho de 1987

Na Gruta de Camões


Tinhas de ser assim:

O primeiro

Encoberto

Da nação.

Tudo ser bruma em ti

E claridade.

O berço,

A vida,

O rastro

E a própria sepultura.

Presente

E ausente

Em cada conjuntura

Do teu destino.

Poeta universal

De Portugal

E homem clandestino.


Miguel Torga in Diário XV, 1990

Torga e Camões II

Coimbra, 11 de Janeiro de 1980

Lápide


Luís Vaz de Camões.

Poeta infortunado e tutelar.

Fez o milagre de ressuscitar

A Pátria em que nasceu.

Quando, vidente, a viu

A caminho da negra sepultura,

Num poema de amor e de aventura

Deu-lhe a vida

Perdida.

E agora,

Nesta segunda hora

De vil tristeza,

Imortal,

É ele ainda a única certeza

De Portugal.


Miguel Torga in Diário XIII

Torga e Camões

Camões


Nem tenho versos, cedro desmedido

Da pequena floresta portuguesa!

Nem tenho versos, de tão comovido

Que fico a olhar de longe tal grandeza.



Quem te pode cantar, depois do Canto

Que deste à pátria, que to não merece?

O sol da inspiração que acendo e que levanto

Chega aos teus pés e como que arrefece.



Chamar-te génio é justo, mas é pouco.

Chamar-te herói, é dar-te um só poder.

Poeta dum império que era louco,

Foste louco a cantar e louco a combater.



Sirva, pois, de poema este respeito

Que te devo e professo,

Única nau de sonho insatisfeito

Que não teve regresso!


Miguel Torga in Poemas Ibéricos, 1965

Música alusiva à data...

Valsinha das Medalhas - Rui Veloso
(letra Rui Veloso e Carlos Tê, música Rui Veloso)


Valsinha das Medalhas - Rui Veloso



Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Rolam já as merendas, na toalha da parada
Para depois das comendas, e Ordens de Torre e Espada
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha


REFRÃO
Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos


Já chegou o dez de Junho, há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins, é a Guarda d'Honra que passa
Desfilam entre grinaldas, velhos heróis d'alfinete
Trazem debaixo das fraldas, mais Índias de gabinete
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

Zeca Afonso canta Fernando Pessoa


No comboio descendente - Zeca Afonso:



No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão

Fernando Pessoa

09 junho, 2008

A Galiza canta Camões em homenagem a Zeca Afonso

Uxia - Verdes São Os Campos




Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

José Mário Branco canta soneto de Camões




Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - José Mário Branco


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Dia de Camões e de Portugal

Camões e a tença


Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Grades (1970)

Portugal, país de poetas e poesia

Vamos hoje iniciar uma série de posts sobre poetas portugueses e a sua poesia, pois, na véspera do Dia de Portugal (somos o único país do Mundo que comemora o nascimento de um poeta - zarolho e tudo - como o seu maior cidadão...) e pouco antes de se comemorarem os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa (já no próximo dia de S.º António) há que celebrar as palavras e as ideias dos portugueses que se tornaram imortais... Pois se a euforia de uns tipos que fazem poesia com os pés (e a cabeça...) nos faz esquecer o quão fundo batemos enquanto nação, há que pegar na Poesia e recordar o que de facto interessa.




Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!


in Mensagem, Fernando Pessoa

04 junho, 2008

Thin Crescent - Lua com poucas horas

Apesar das nuvens que não teimam em "cair" dos céus, hoje consegui fotografar um fenómeno que tentava há bastante tempo: captar uma imagem da Lua com poucas horas depois da Lua Nova.

Fica aqui o registo de 2 momentos que me parecem muito bonitos.






Leiria, 4 de Junho de 2008
(c) JC/08

01 junho, 2008

Dia Mundial da Criança

Dormindo

Miniatura


Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.

É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.


Miguel Torga in Diário VIII (Coimbra, 11 de Abril de 1957)